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Netanyahu enfrenta nova crise após avanço de projeto que pode dissolver a Knesset e antecipar eleições em Israel

A votação na Knesset amplia a pressão sobre o premiê em meio a divisões na coalizão governista e impasse sobre a isenção militar de ultraortodoxos

Benjamin Netanyahu (Foto: ILIA YEFIMOVICH/Pool via REUTERS)
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247 - O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, enfrenta uma nova crise política após a Knesset aprovar, em votação preliminar, um projeto de lei que pode levar à dissolução do Parlamento e à convocação de eleições antecipadas. A proposta recebeu apoio de 110 dos 120 parlamentares e ainda precisará passar por uma comissão e por mais três votações antes de entrar em vigor. As informações são da RFI.

Caso seja aprovada definitivamente, Israel terá de realizar novas eleições em até 90 dias, antecipando o pleito previsto para 27 de outubro. A crise expõe a instabilidade da coalizão liderada por Netanyahu, sustentada por partidos ultraortodoxos que pressionam pela aprovação de uma lei que mantenha estudantes de yeshivot, escolas religiosas judaicas, isentos do serviço militar obrigatório.

O impasse sobre a proposta abriu espaço para o avanço da ofensiva parlamentar. Parlamentares da oposição tentaram apresentar um projeto próprio para dissolver a Knesset, mas integrantes da base governista se anteciparam e protocolaram uma proposta alternativa para tentar controlar o calendário político.

Coalizão sob tensão

Segundo analistas israelenses, Netanyahu tenta conciliar interesses conflitantes dentro da coalizão. A cientista política Myriam Shermer afirmou que o premiê busca aprovar uma medida "profundamente impopular" entre parte do eleitorado, mas considerada essencial para manter sua base parlamentar unida.

Shermer também observou que a dissolução do Parlamento ainda pode ser revertida caso a proposta sobre a isenção militar seja aprovada antes da conclusão do processo legislativo. Segundo ela, uma eventual escalada militar envolvendo o Irã também poderia alterar o cenário político e suspender a tramitação.

Netanyahu, de 76 anos, tenta viabilizar mais um mandato enquanto responde a um processo por corrupção que se arrasta há anos. O líder do partido Likud é o premiê que mais tempo governou Israel, acumulando mais de 18 anos no cargo desde 1996. Pesquisas recentes apontam o Likud ainda competitivo, mas sem garantia de maioria parlamentar em meio à fragmentação política israelense.

Pressão sobre Netanyahu

O desgaste do governo também está relacionado à ação do Hamas em 7 de outubro de 2023, apontado por parte da população como um fracasso da segurança nacional israelense. O cientista político Gideon Rahat, da Universidade Hebraica de Jerusalém, afirmou que Netanyahu busca evitar eleições próximas ao aniversário do episódio.

Segundo Rahat, o premiê prefere antecipar a disputa eleitoral para antes de outubro, reduzindo o impacto do debate sobre sua responsabilidade política pelos ataques. A oposição reagiu imediatamente ao avanço do projeto de dissolução. O líder oposicionista Yair Lapid afirmou que "a campanha eleitoral começou hoje" e classificou a disputa como uma escolha entre "esperança e medo", "integridade e corrupção", "responsabilidade e fuga".

O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, atualmente colíder do partido Beyahad, também elevou o tom contra Netanyahu. "É o fim, você pode soltar as rédeas", declarou. Levantamento divulgado pela emissora pública KAN em meados de maio aponta equilíbrio entre o partido de Bennett e o Likud, sem perspectiva clara de maioria para qualquer um dos blocos.

Divisão religiosa e militar

A crise também expõe divisões históricas entre setores religiosos e seculares da sociedade israelense. O debate sobre a isenção militar para estudantes ultraortodoxos ganhou força após outubro de 2023, quando Israel iniciou um genocídio contra o povo palestino na Faixa de Gaza e milhares de reservistas passaram a ser convocados para a agressão.

No sistema parlamentarista israelense, a formação de governo depende da construção de coalizões majoritárias na Knesset, cenário que frequentemente produz alianças instáveis e disputas internas.

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