HOME > Mundo

Novo embaixador em Brasília pede apoio de Lula para garantir presença palestina no “Conselho de Paz”

Burini declarou que seu governo recebeu de forma positiva o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter tratado do tema com o presidente dos EUA

Lula e o novo embaixador da Palestina no Brasil (Foto: Redes sociais, divulgação)

247 - O novo embaixador da Palestina no Brasil, Marwan Jebril Burini, afirmou que espera contar com o apoio do governo brasileiro para assegurar a participação palestina no Conselho de Paz proposto pelos Estados Unidos para discutir o futuro da Faixa de Gaza. O grupo, que deve realizar sua primeira reunião em Washington nesta quinta-feira (19), não prevê a presença de representantes palestinos em postos de alto escalão.

Burini declarou que seu governo recebeu de forma positiva o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter tratado do tema com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, destacando a ausência da Palestina na iniciativa, informa a Folha de S.Paulo. . “Fomos excluídos, como Lula disse a Trump, e precisamos estar ali”, afirmou o diplomata. “Somos nós que temos que resolver os problemas do nosso povo”, acrescentou.

Aos 63 anos, Burini assumiu o posto em Brasília em dezembro, marcando uma nova fase na representação palestina no país, após os 17 anos de atuação de seu antecessor, Ibrahim Alzeben. Nascido em Nablus, na Cisjordânia, o embaixador cresceu no Kuwait, estudou na Espanha e já chefiou a missão diplomática palestina em El Salvador.

Apesar de reconhecer a importância da criação de fóruns internacionais para discutir a situação em Gaza, as autoridades palestinas em Ramallah veem com ceticismo o formato do novo Conselho de Paz. Entre os integrantes confirmados está o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, a quem Burini se referiu como “um criminoso de guerra que matou mais de 70 mil pessoas”, em menção à ofensiva israelense no território palestino.

O diplomata também criticou decisões recentes do governo israelense relacionadas à Cisjordânia. No domingo (15), o gabinete de Netanyahu aprovou medidas que facilitam a aquisição de terras por colonos no território ocupado desde 1967. Em desacordo com a maior parte da comunidade internacional, Israel mantém e expande assentamentos na região.

Para Burini, trata-se de uma política contínua de ocupação. “É uma continuidade da política criminosa de colonização, não tem outro nome”, afirmou. “Não vai sobrar nenhum pedaço de terra para estabelecermos nosso Estado soberano. Isso é inaceitável.”

O embaixador relaciona a intensificação das ações na Cisjordânia ao contexto posterior aos ataques de 7 de outubro de 2023. “Israel diz ao mundo que é a vítima, que é o lado bom”, declarou Burini. Ele ressaltou que o Hamas não integra o governo palestino nem o representa oficialmente. “Nada justifica matar crianças, tanto da nossa parte quanto da deles”, disse, referindo-se às vítimas palestinas e israelenses. “Só que este conflito não começou em 2023. Estamos há décadas sob ocupação.”

Sobre o futuro do Hamas na Faixa de Gaza, tema central nas negociações para encerrar o conflito, o embaixador afirmou que o governo palestino defende o desarmamento do grupo. “Eles deveriam entregar as armas e virar um partido como os demais”, declarou. “Só deveria haver armas nas mãos do Estado.”

Burini também destacou que pretende fortalecer o diálogo com a comunidade palestina no Brasil, estimada em cerca de 60 mil pessoas. “Eles são embaixadores da causa. Só de falarem sobre suas experiências, eles já ajudam a transmitir aos brasileiros o que está acontecendo na Palestina”, afirmou. “Nós fazemos o trabalho político, mas eles chegam a setores aos quais não chegamos.”

Aliado histórico da Palestina, o Brasil manteve relações diplomáticas próximas com Ramallah ao longo das últimas décadas.

Artigos Relacionados