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Ocidente não quer o fim da guerra na Ucrânia, afirma Moscou

Rússia diz que envio contínuo de armas à Ucrânia prova resistência ocidental a um acordo de paz

Maria Zakharova (Foto: Divulgação)

247 - Autoridades russas voltaram a acusar o Ocidente de não demonstrar interesse real em encerrar o conflito no Leste Europeu, enquanto declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reacenderam o debate internacional sobre os obstáculos a um eventual acordo de paz entre Rússia e Ucrânia.

Em declaração divulgada pela agência Sputnik, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que os países ocidentais não desejam o fim da guerra. Segundo ela, a manutenção ininterrupta do aeroporto de Rzeszów, na Polônia, desde 2022, utilizado como principal corredor para o envio de ajuda militar à Ucrânia, seria uma evidência concreta dessa postura.

“O funcionamento ininterrupto do aeroporto de Rzeszów, na Polônia, que desde 2022 tem sido um canal-chave por onde flui constantemente a ajuda militar às forças armadas da Ucrânia, é uma prova de que o Ocidente nunca quis a paz e não quer que a guerra termine”, disse Zakharova durante uma coletiva.

A porta-voz ressaltou ainda que o fornecimento contínuo de armamentos e apoio financeiro por países europeus e membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ao governo de Kiev revelaria as verdadeiras intenções desses atores internacionais. Para ela, essas ações falariam mais alto do que os discursos públicos que defendem uma solução pacífica para o conflito.

As declarações russas surgem em meio a uma nova controvérsia diplomática após falas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que atribuiu à Ucrânia a responsabilidade por atrasar um possível acordo de paz. Em entrevista concedida à agência Reuters, no Salão Oval da Casa Branca, Trump afirmou que Moscou estaria mais disposta a negociar do que Kiev.

“Acho que ele está pronto para fazer um acordo”, disse o presidente dos Estados Unidos ao se referir ao presidente russo, Vladimir Putin. Na sequência, acrescentou: “Acho que a Ucrânia está menos pronta para fazer um acordo”.

Questionado sobre os motivos que levaram as negociações lideradas pelos Estados Unidos a não conseguirem encerrar o maior conflito terrestre da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, Donald Trump foi direto ao apontar o presidente ucraniano. “Zelensky”, afirmou.

As declarações contrastam com a posição adotada por aliados europeus, que vêm sustentando que a Rússia não demonstra interesse genuíno em pôr fim à guerra iniciada há quase quatro anos, aprofundando as divergências no bloco ocidental sobre os caminhos para uma eventual solução diplomática do conflito.

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