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Trump diz que Zelensky trava acordo de paz na Ucrânia

Presidente dos Estados Unidos afirma que Putin estaria disposto a negociar o fim da guerra, enquanto líder ucraniano demonstra maior reticência

Trump e Zelensky se reúnem na Casa Branca 18/08/2025 (Foto: REUTERS/Kevin Lamarque)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a Ucrânia, e não a Rússia, estaria atrasando um possível acordo de paz para encerrar a guerra no Leste Europeu. A afirmação contrasta com a posição adotada por aliados europeus, que vêm sustentando que Moscou não demonstra interesse real em pôr fim ao conflito iniciado há quase quatro anos.

As declarações foram feitas em entrevista concedida à agência Reuters, no Salão Oval da Casa Branca. Segundo Trump, o presidente russo, Vladimir Putin, estaria pronto para concluir a ofensiva militar contra a Ucrânia, enquanto o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, demonstraria maior resistência às negociações.

“Acho que ele está pronto para fazer um acordo”, disse Trump ao se referir a Putin. Em seguida, acrescentou: “Acho que a Ucrânia está menos pronta para fazer um acordo”.

Questionado sobre o motivo de as negociações lideradas pelos Estados Unidos ainda não terem conseguido encerrar o maior conflito terrestre da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, Trump foi direto ao apontar o líder ucraniano: “Zelensky”.

As declarações evidenciam uma renovada insatisfação do presidente dos Estados Unidos com o governo ucraniano. Trump e Zelensky mantêm, há anos, uma relação marcada por altos e baixos, embora interlocutores avaliem que o diálogo entre os dois tenha melhorado ao longo do primeiro ano do novo mandato de Trump.

Ao longo do conflito, Trump tem demonstrado maior disposição para aceitar declarações de Moscou do que líderes europeus e parte do establishment político dos Estados Unidos, postura que gera desconforto em Kiev, em capitais da Europa e até entre parlamentares norte-americanos, inclusive do Partido Republicano.

Em dezembro, a Reuters noticiou que relatórios da inteligência dos Estados Unidos continuavam alertando que Putin não havia abandonado o objetivo de controlar toda a Ucrânia e recuperar áreas da Europa que integravam a antiga União Soviética. Na ocasião, a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, contestou essa avaliação.

As negociações mais recentes, conduzidas pelos Estados Unidos, têm se concentrado em garantias de segurança para uma Ucrânia no pós-guerra, com o objetivo de evitar uma nova invasão russa após um eventual acordo. De forma ampla, negociadores norte-americanos pressionam Kiev a abrir mão da região oriental de Donbas como parte de um entendimento com Moscou.

Autoridades ucranianas participam ativamente dessas conversas, lideradas, pelo lado dos Estados Unidos, pelo enviado especial Steve Witkoff e por Jared Kushner, genro de Trump. Alguns representantes europeus, no entanto, demonstram ceticismo quanto à disposição do Kremlin em aceitar termos discutidos entre Kiev, Washington e governos europeus.

Trump afirmou não ter conhecimento sobre uma possível viagem de Witkoff e Kushner a Moscou, mencionada mais cedo pela Bloomberg. Sobre a possibilidade de um encontro com Zelensky durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, o presidente dos Estados Unidos disse que isso poderia ocorrer, mas sem confirmar agenda definida.

“Eu iria — se ele estiver lá”, afirmou Trump. “Eu vou estar lá”.

Ao ser questionado sobre as razões que o levam a acreditar que Zelensky estaria dificultando as negociações, Trump evitou detalhar: “Eu apenas acho que ele está, você sabe, tendo dificuldade para chegar lá”.

Publicamente, Zelensky tem descartado qualquer concessão territorial à Rússia, argumentando que a Constituição ucraniana não permite a entrega de partes do território nacional, posição que segue como um dos principais entraves para um eventual acordo de paz.

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