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Países da União Europeia debatem deportação em massa de afegãos

Medida ganha força após ações já adotadas pela Alemanha; ONGs alertam para riscos

Imigrantes do Afeganistão desembarcando na ilha grega de Lesbos. 06/08/2015 REUTERS/Yiannis Kourtoglou (Foto: REUTERS/Yiannis Kourtoglou)

247 - Países europeus analisam ampliar a deportação em massa de cidadãos afegãos em meio ao endurecimento das políticas migratórias da União Europeia. A Europa recebeu centenas de milhares de afegãos após décadas de guerra no país, atualmente sob governo do Talibã. Segundo a RFI, dados de 2025 indicam que os afegãos lideram os pedidos de asilo registrados na União Europeia.

A Alemanha foi o primeiro país europeu a autorizar deportações coletivas de afegãos, em 2024. Cerca de cem pessoas condenadas pela Justiça foram enviadas em voos fretados com facilitação do Catar. Após a decisão alemã, a Áustria adotou medida semelhante. Bélgica e Suécia também passaram a discutir políticas próximas, com apoio de grupos que defendem maior rigidez migratória.

Postura da França e articulação europeia

Já a França adota postura cautelosa e prefere avaliar cada caso individualmente antes de aderir a uma eventual decisão conjunta do bloco. Em outubro, vários países enviaram carta a Bruxelas pedindo "soluções diplomáticas e práticas" para permitir o retorno ao Afeganistão de pessoas com pedidos de asilo negados ou condenadas judicialmente. Freddy Roosemont, diretor do Escritório de Estrangeiros da Bélgica, declarou: "Estamos vendo com a Comissão Europeia".

A Comissão Europeia confirmou na quarta-feira (4) que realizou duas missões técnicas no Afeganistão, em fevereiro de 2025 e em janeiro de 2026, para estudar a "possível organização de deportações". O porta-voz Markus Lammert reconheceu que a operação "apresenta desafios".

Crise humanitária no Afeganistão

Entre os fatores apontados está a crise humanitária no Afeganistão. Desde 2023, mais de cinco milhões de afegãos retornaram do Irã e do Paquistão, frequentemente de forma forçada. Organizações internacionais afirmam que grande parte dessa população vive em situação precária, sem moradia permanente ou emprego. A Human Rights Watch também relata aumento da repressão no país asiático e manifesta preocupação com mulheres, meninas e membros da imprensa.

Entidades humanitárias criticam a possibilidade de ampliar deportações. A Human Rights Watch afirma: "Nenhum país deveria enviar à força". Arafat Jamal, da agência da ONU para refugiados, afirmou que a situação "é extremamente preocupante". Ele também defendeu que qualquer mudança deveria ser acompanhada de aumento da ajuda internacional ao Afeganistão.

Entraves diplomáticos

A implementação das medidas exigiria diálogo com o Talibã, que governa o Afeganistão desde 2021, mas não é reconhecido oficialmente pela União Europeia. Entre os entraves estão a emissão de passaportes e o funcionamento das representações diplomáticas afegãs na Europa. Fontes ligadas às negociações indicam que europeus avaliam logística de voos, capacidade do aeroporto de Cabul e o destino das pessoas deportadas.

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