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Países do Golfo pedem cautela aos EUA e alertam contra ataque ao Irã

Arábia Saudita, Omã e Catar avaliam riscos regionais, energéticos e políticos de uma ofensiva militar contra Teerã

Manifestação a favor do governo em Teerã (Foto: Reuters)

247 - A Arábia Saudita, Omã e Catar intensificaram esforços diplomáticos para dissuadir os Estados Unidos de promoverem uma agressão militar contra o Irã. Os três países do Golfo Pérsico alertaram que uma ação desse tipo poderia provocar forte instabilidade regional, com impactos diretos sobre a segurança, a economia e o fornecimento global de energia.

As informações foram divulgadas pela HispanTV e têm como base reportagem do jornal norte-americano The Wall Street Journal, segundo a qual os governos saudita, omanense e catariano pressionaram discretamente a administração de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, a evitar qualquer iniciativa militar contra o país persa. A avaliação apresentada aos norte-americanos é de que um ataque, especialmente em meio a distúrbios instigados externamente, poderia gerar turbulência política e econômica em todo o Oriente Médio.

Autoridades dos três países advertiram que uma intervenção com o objetivo de derrubar a liderança iraniana teria potencial para comprometer seriamente o tráfego de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo bruto comercializado no mundo. Além do risco energético, também foram citadas possíveis reações internas negativas, prejuízos econômicos e a perspectiva de retaliação direta do Irã contra interesses norte-americanos e de seus aliados.

No âmbito regional, autoridades da Arábia Saudita asseguraram a representantes iranianos que o país não participará de nenhuma ação contra o Irã e que tampouco permitirá o uso de seu espaço aéreo por aeronaves militares dos Estados Unidos. A sinalização busca reduzir tensões e evitar que o conflito se espalhe para outros países do Golfo.

Apesar das advertências, Donald Trump chegou a considerar opções militares contra o Irã, embora, segundo as informações disponíveis, ainda não tenha tomado uma decisão final. Paralelamente, o governo iraniano reagiu com alertas diretos a Washington. Em uma mensagem contundente, Teerã afirmou: “Não repita o erro de junho ou terá outro fiasco.”

O Irã também avisou países vizinhos que abrigam tropas norte-americanas de que suas bases militares poderão ser alvos caso os Estados Unidos lancem uma ofensiva. Nesse contexto, segundo três diplomatas não identificados, militares lotados na Base Aérea de Al-Udeid, no Catar receberam instruções para evacuação parcial até a noite de quarta-feira, embora não tenha sido registrada uma retirada em massa.

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