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Palestina critica criação do ‘conselho da paz’ e vê risco de enfraquecimento da ONU

Autoridades palestinas expressam preocupação com nova instância internacional e reagem à nomeação de Benjamin Netanyahu para conselho de paz

Bandeira palestina é hasteada na ONU pela primeira vez (Foto: BENOIT TESSIER/Reuters)

247 - Autoridades palestinas reagiram com forte preocupação à criação do chamado Conselho da Paz, avaliado como uma possível estrutura paralela capaz de enfraquecer o papel das Nações Unidas na mediação de conflitos internacionais. O tema foi tratado nesta semana em encontros diplomáticos, nos quais representantes da Palestina deixaram claro que não aceitam a substituição de organismos multilaterais já consolidados.

Segundo informações divulgadas pela Al Jazeera, a ministra das Relações Exteriores e Expatriados da Palestina, Varsen Aghabekian Shahin, abordou o assunto durante uma reunião com representantes do consulado do Reino Unido. Na ocasião, ela enfatizou que “any transitional institutional framework or body must not serve as a substitute for the United Nations”.

Além das críticas institucionais, a composição do novo conselho provocou indignação entre palestinos, especialmente após a nomeação de Benjamin Netanyahu como integrante do conselho. De acordo com o correspondente da Al Jazeera, Tareq Abu Azzoum, que falou a partir da Cidade de Gaza, a escolha foi recebida com choque e revolta por amplos setores da sociedade palestina.

“Ele é visto como responsável por assassinatos em massa, deslocamentos forçados e pela destruição da vida civil”, afirmou o jornalista. Na avaliação de Abu Azzoum, a presença de Netanyahu no conselho levanta questionamentos profundos sobre a legitimidade da iniciativa: “From that perspective, how can someone accused of these crimes be branded a peacemaker?”.

As reações refletem o temor de que o conselho da paz não apenas fragilize o sistema multilateral liderado pela ONU, como também legitime figuras associadas a políticas e ações amplamente condenadas pelos palestinos, aprofundando a desconfiança em relação a novos arranjos diplomáticos apresentados como instrumentos de promoção da paz.

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