Papa condena assassinato de padre libanês por Netanyahu
O pontífice pediu paz para o Líbano em meio à guerra com Israel depois que o padre Pierre El-Rahi morreu ao socorrer paroquianos feridos
247 - O papa Leão XIV usou sua conta na rede social X nesta quarta-feira (11) para se manifestar publicamente sobre a morte do padre Pierre El-Rahi, pároco maronita assassinado em um bombardeio das forças israelenses no Líbano. A repercussão da postagem papal veio em meio a um cenário de crescente tensão no Oriente Médio, com o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã completando 12 dias de operações militares e um saldo de mais de 2.000 mortos, conforme apuração de agências internacionais de notícias.
Israel é governado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que responde a denúncias formais de genocídio tanto na Corte Internacional de Justiça quanto no Tribunal Penal Internacional, em razão das operações militares conduzidas na Faixa de Gaza.
Em sua publicação, o pontífice descreveu o funeral do sacerdote, celebrado nesta quarta-feira em uma aldeia cristã do Líbano, como símbolo de uma tragédia que se repete para o povo libanês. "O funeral do Padre Pierre El-Rahi, pároco maronita de uma aldeia cristã, é celebrado hoje no Líbano, enquanto essas aldeias vivenciam mais uma vez a tragédia da guerra. Estou próximo de todo o povo libanês neste momento de grave provação", escreveu Leão XIV.
O papa também destacou o gesto heróico do sacerdote nos momentos que antecederam sua morte. "O Padre Pierre foi um verdadeiro pastor. Assim que soube que paroquianos haviam sido feridos em um bombardeio, correu para ajudar sem hesitar. Que o Senhor permita que o sangue que ele derramou se torne uma semente de paz para o amado Líbano", afirmou o pontífice.
A guerra que Washington chama de necessária — e a ONU contradiz
O conflito tem origem nos ataques lançados pelos Estados Unidos contra o Irã em 28 de fevereiro, no âmbito da chamada Operação Fúria Épica. O governo do presidente Donald Trump justificou a ofensiva com a acusação de que Teerã estaria avançando no desenvolvimento de armamento nuclear. A narrativa, porém, encontrou resistência em uma das vozes mais autorizadas do tema.
Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), declarou em entrevista à NBC News que os inspetores da ONU não localizaram evidências de que o Irã mantenha um programa coordenado para a produção de armas nucleares — contradizendo diretamente as alegações levantadas por Washington e Tel Aviv para justificar a escalada militar.
Dados que não param de crescer
Além do custo humano, a guerra já apresenta uma fatura financeira expressiva. Segundo a Reuters, representantes do governo Trump informaram a senadores americanos, em reunião fechada realizada na terça-feira, que apenas os primeiros seis dias da Operação Fúria Épica consumiram ao menos US$ 11,3 bilhões dos cofres públicos dos Estados Unidos. O valor, revelado por uma fonte familiarizada com o encontro, não contempla o custo total do conflito — o que torna o número ainda mais impactante, dado o curto período ao qual se refere. Parlamentares americanos pressionam a Casa Branca por mais transparência sobre os gastos militares.
Irã responde e Golfo Pérsico entra na mira
Apesar da superioridade aérea da coalizão americano-israelense — reconhecida pelo próprio Pentágono como a de maior intensidade desde o início das operações —, o Irã tem demonstrado resiliência militar. Nesta quarta-feira, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou o lançamento de mísseis contra o centro de Tel Aviv e contra bases militares dos Estados Unidos no Iraque, ampliando o raio geográfico do conflito.
No Golfo Pérsico, três embarcações comerciais teriam sido atingidas após ignorarem ordens das forças iranianas, acrescentando uma nova camada de instabilidade a uma região que já sente os efeitos do fechamento do Estreito de Ormuz — passagem responsável pelo transporte de cerca de 20% do petróleo mundial. Os bombardeios se espalharam pelo Líbano, elevando o número de mortos a mais de 2.000 pessoas, em sua maioria iranianas e libanesas, e aprofundando a crise humanitária na região.


