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Parlamento europeu suspende acordo comercial com EUA após ameaças de Trump à Groenlândia

Medida responde a anúncio de tarifas dos EUA e amplia crise política e econômica entre os dois blocos

O presidente dos EUA, Donald Trump - 18/12/2025 (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)

247 - O Parlamento Europeu decidiu suspender a tramitação do acordo comercial firmado com os Estados Unidos após a escalada de ameaças tarifárias anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra os países que não apoiarem a intenção estadunidense de anexar a Groenlândia. A decisão marca um novo capítulo de tensão entre a União Europeia e Washington, envolvendo não apenas disputas econômicas, mas também questões estratégicas e diplomáticas. As informações são do G1

Reação europeia às ameaças tarifárias

Em publicação na rede Truth Social, Donald Trump anunciou a aplicação de tarifas progressivas sobre produtos europeus exportados aos Estados Unidos. Segundo o presidente estadunidense, as taxas começam a valer já em fevereiro do próximo ano.

“A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos Estados Unidos da América. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%”, escreveu Trump.

Acordo comercial fica paralisado

O acordo entre União Europeia e Estados Unidos havia sido firmado em julho do ano passado e previa que Washington aplicaria tarifas de 15% sobre a maioria dos produtos europeus, enquanto o bloco europeu concordaria em eliminar diversas taxas sobre importações americanas. O tratado, no entanto, ainda aguardava aprovação formal do Parlamento Europeu e dos governos nacionais, com previsão de entrada em vigor entre março e abril deste ano. Com a suspensão do processo legislativo, o acordo permanece congelado e sem perspectiva imediata de implementação.

Possíveis retaliações bilionárias

A França adotou um tom duro diante da ofensiva americana. O ministro das Relações Exteriores, Jean-Noel Barrot, classificou a estratégia dos Estados Unidos como coercitiva. 

Barrot afirmou que as ameaças alfandegárias representam “chantagem” e que estariam sendo usadas para forçar “concessões injustificáveis”. O chanceler francês também declarou apoio à suspensão do acordo e afirmou que a Comissão Europeia dispõe de “instrumentos muito poderosos” para responder às investidas de Washington.

Entre as medidas em análise pela União Europeia estão tarifas retaliatórias que podem alcançar 93 bilhões de euros, além da possibilidade de restringir o acesso de empresas americanas ao mercado europeu.

Groenlândia agrava tensão política

A crise comercial se soma a um impasse político envolvendo a Groenlândia. Durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a soberania do território é “inegociável” e alertou que tarifas e pressões entre Estados Unidos e União Europeia seriam um erro estratégico.

Nas últimas semanas, Trump intensificou declarações defendendo a anexação da Groenlândia, alegando razões de segurança nacional e interesses estratégicos ligados a rotas comerciais, matérias-primas críticas e à construção de seu sistema de defesa antimísseis.

“Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro [sistema de defesa antimísseis] que estamos construindo. A Otan deveria liderar o processo para que a conquistemos. Se não o fizermos, a Rússia ou a China o farão, e isso não vai acontecer!”, escreveu o presidente estadunidense. Protestos e apoio europeu ao território.

Resposta conjunta e apoio à Groenlândia

Em resposta, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda divulgaram um comunicado conjunto reafirmando o compromisso com a defesa da Groenlândia e com o fortalecimento da segurança do Ártico no âmbito da Otan. O governo groenlandês agradeceu publicamente o apoio europeu.

A escalada das tensões também provocou mobilização popular. Milhares de pessoas foram às ruas da Groenlândia e de Copenhague para protestar contra a intenção declarada de anexação do território, ampliando a pressão política sobre Washington e reforçando a reação europeia diante do avanço das disputas comerciais e estratégicas.

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