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Petróleo dispara após Trump reafirmar continuação de ataques contra Irã

Alta superior a 5% reflete temor de interrupções no fornecimento global diante da escalada do conflito no Oriente Médio

Bomba de petroleo nos arredores de Scheibenhard, na França 6 de outubro de 2017 REUTERS/Christian Hartmann (Foto: CHRISTIAN HARTMANN)

247 - Os preços do petróleo registraram forte alta nesta quinta-feira (2), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o país continuará os ataques contra o Irã, sem apresentar um prazo claro para o fim da guerra. A sinalização elevou a preocupação dos mercados com possíveis interrupções prolongadas no fornecimento global de energia.

De acordo com reportagem da Reuters, os contratos futuros do petróleo Brent avançaram US$ 6,33, ou 6,3%, atingindo US$ 107,49 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) subiu US$ 5,28, ou 5,3%, chegando a US$ 105,40 por barril.

A valorização ocorreu após um discurso televisionado de Trump, no qual o presidente indicou que as operações militares estão próximas de alcançar seus objetivos, mas sem detalhar uma estratégia de encerramento. “Vamos terminar o trabalho, e vamos terminá-lo muito rápido. Estamos chegando muito perto”, afirmou.

A ausência de uma sinalização concreta de cessar-fogo ou de abertura para negociações diplomáticas intensificou a reação dos investidores. Segundo Priyanka Sachdeva, analista sênior da Phillip Nova, o mercado respondeu negativamente à falta de clareza. “Nenhuma menção clara a um cessar-fogo ou a um diálogo diplomático” foi feita, destacou.

O cenário de risco foi agravado por novos episódios no Golfo Pérsico. Um navio-tanque arrendado à QatarEnergy foi atingido por um míssil de cruzeiro iraniano em águas do Catar, conforme informou o Ministério da Defesa do país. O incidente elevou ainda mais as preocupações com a segurança do tráfego marítimo na região.

Analistas apontam que a escalada militar pode levar o petróleo a novos patamares. “Caso as tensões se intensifiquem ou os riscos marítimos aumentem, o petróleo poderá atingir novos máximos, à medida que os mercados precificam possíveis interrupções no fornecimento”, avaliou Sachdeva.

A Agência Internacional de Energia também alertou que eventuais interrupções já começam a impactar a economia europeia. Até então, o continente vinha sendo protegido por estoques contratados antes do início do conflito.

Para Claudio Galimberti, economista-chefe da Rystad Energy, a incerteza continua sendo o principal fator de volatilidade. “Sem qualquer menção a um plano sólido de cessar-fogo ou a uma saída concreta, os mercados continuam a digerir as declarações da administração”, afirmou.

O avanço dos preços reflete um ambiente de crescente instabilidade geopolítica, com impactos diretos sobre o mercado energético global e sobre as expectativas econômicas em diversas regiões.

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