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Plano contra Maduro foi discutido com Trump no primeiro mandato

John Bolton, ex-conselheiro de Segurança Nacional, afirma que falta de foco impediu avanço da proposta contra o governo venezuelano

Donald Trump e John Bolton (Foto: REUTERS/Kevin Lamarque)

247 - Um plano para tentar destituir o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, chegou a ser apresentado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante seu primeiro mandato. A proposta, no entanto, não avançou dentro da Casa Branca, segundo relato de John Bolton, que atuou como conselheiro de Segurança Nacional entre 2018 e 2019.

Em entrevista à CNN, Bolton afirmou que a iniciativa esbarrou na dificuldade de manter o então presidente concentrado no tema. De acordo com ele, apesar do interesse inicial, o assunto perdeu prioridade ao longo do tempo dentro do governo estadunidense.

Interesse estratégico pelo petróleo venezuelano

Segundo Bolton, Donald Trump demonstrava atenção especial às reservas energéticas da Venezuela. O ex-conselheiro afirmou que o então presidente tinha “grande interesse pelo petróleo venezuelano”, fator que ajudou a despertar sua curiosidade inicial sobre a possibilidade de mudança política no país sul-americano.

Ainda assim, Bolton reconheceu que ele e sua equipe não conseguiram sustentar esse interesse. “Não conseguimos mantê-lo focado nisso”, declarou, ao relembrar as discussões internas ocorridas durante seu período na Casa Branca.

Avaliação da oposição e pressão econômica

Bolton também relatou que, naquele momento, setores da oposição venezuelana acreditavam que a intensificação da pressão econômica internacional seria suficiente para provocar a queda do governo de Nicolás Maduro. Essa avaliação, segundo ele, influenciou o debate dentro da administração americana, mas não se concretizou como estratégia eficaz.

Diferenças entre o primeiro e o segundo mandato

Ao comparar os dois períodos de Donald Trump na presidência, Bolton afirmou que houve mudanças na condução do tema Venezuela no segundo mandato. Ele apontou o atual secretário de Estado e conselheiro interino de Segurança Nacional, Marco Rubio, como figura central nesse processo. “Acho que desta vez Trump foi persuadido, obviamente, a se envolver por causa da persistência de Rubio e pelos benefícios políticos”, afirmou.

Após deixar o cargo, John Bolton passou a se posicionar como um crítico público de Donald Trump. Atualmente, ele responde a acusações relacionadas à transmissão e à retenção de informações de defesa nacional. A Casa Branca não comentou as declarações do ex-conselheiro. 

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