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Porta-aviões Abraham Lincoln chega ao Oriente Médio e reforça presença militar dos EUA na região

Deslocamento naval ocorre em meio a tensões com o Irã e alertas de Teerã sobre riscos no Golfo Pérsico

Porta-Aviões Abraham Lincoln (Foto: Reuters)

247 - O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) confirmou o envio do grupo de ataque do porta-aviões Abraham Lincoln para o Oriente Médio, ampliando a presença militar norte-americana na região em um contexto de crescente tensão com o Irã. A movimentação ocorre após a embarcação ter operado no Mar da China Meridional e passa a integrar um conjunto de ações estratégicas adotadas por Washington nas últimas semanas.

A informação foi divulgada pela Telesur, com base em dados do CENTCOM e de agências internacionais. Segundo autoridades militares dos Estados Unidos, o Abraham Lincoln navega acompanhado por três destróieres com capacidade de lançar mísseis de cruzeiro Tomahawk, reforçando o poder ofensivo da frota posicionada nas águas do Oriente Médio.

O porta-aviões transporta caças F-35C e F/A-18, além de aeronaves de guerra eletrônica EA-18G Growler, projetadas para interferir em sistemas de defesa adversários. Paralelamente, os Estados Unidos deslocaram caças F-15E para uma base na Jordânia e iniciaram o envio de sistemas de defesa aérea Patriot e Thaad, com o objetivo declarado de proteger instalações americanas contra eventuais contra-ataques iranianos.

Do lado iraniano, o movimento foi recebido com alertas e críticas. Um alto oficial militar do Quartel-General Khatam al-Anbiya das Forças Armadas da República Islâmica do Irã, citado pela agência estatal IRIB, afirmou que a presença do porta-aviões no Golfo Pérsico não representa dissuasão e o classificou como um “alvo acessível”.

O Pentágono indicou que o reforço militar busca oferecer alternativas táticas, tanto defensivas quanto ofensivas, caso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, opte por avançar com ações militares contra o Irã. Em declaração anterior, Trump afirmou: “Temos uma grande força a caminho do Irã. Eu preferiria que nada acontecesse, mas estamos monitorando-os de perto”.

Apesar de ter recuado, no início de janeiro, da possibilidade imediata de um ataque, o presidente dos Estados Unidos não descartou completamente novas investidas contra Teerã. O cenário externo se soma a uma conjuntura interna delicada no Irã, marcada por episódios de vandalismo e violência armada durante manifestações iniciadas no começo de 2026, motivadas pela crise econômica agravada por anos de sanções ocidentais.

De acordo com autoridades iranianas, os protestos, inicialmente pacíficos e liderados por comerciantes, trabalhadores e cidadãos comuns, teriam sido infiltrados por elementos ligados a interesses externos. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, classificou o momento como uma “guerra terrorista”, inserida no que descreveu como uma agressão coordenada entre Washington e Israel.

Nesse contexto, órgãos de inteligência do Irã anunciaram a apreensão de armas de fogo de fabricação americana, materiais explosivos e armas brancas, que estariam armazenados em pontos estratégicos. As autoridades de Teerã sustentam que esses recursos seriam utilizados para ampliar a instabilidade interna do país, em meio ao aumento da pressão militar e política exercida pelos Estados Unidos na região.

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