HOME > Mundo

Irã exibe porta-aviões destruído em recado direto aos EUA

“Quem semeia vento colhe tempestade”, diz a mensagem do país asiático após a chegada de porta-aviões dos Estados Unidos no Oriente Médio

Outdoor no Irã (Foto: Xinhua)

247 - O Irã afirmou nesta segunda-feira (26) que responderá de forma “contundente” a qualquer agressão dos Estados Unidos, em meio ao aumento da presença militar norte-americana no Oriente Médio. Como sinal público de advertência, autoridades iranianas instalaram um outdoor em uma praça central de Teerã com a imagem de um porta-aviões destruído e a frase: “Quem semeia vento colhe tempestade”.

As informações foram divulgadas por veículos internacionais como a Fox News e a TeleSUR, que contextualizam a reação iraniana diante da chegada de um porta-aviões dos Estados Unidos à região. Segundo o Comando Central militar estadunidense (Centcom), responsável pelas operações no Oriente Médio e em partes da Ásia Central, o navio “está estacionado atualmente no Oriente Médio para promover a segurança e a estabilidade regionais”.

Em nota oficial divulgada nesta segunda-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que qualquer ataque será respondido de maneira firme. O comunicado menciona que haverá uma “resposta contundente” capaz de provocar “arrependimento perante qualquer agressão”. A declaração reforça o tom adotado por autoridades iranianas diante do aumento da pressão militar norte-americana.

O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmail Baqai, afirmou que o país confia em sua própria capacidade de defesa e minimizou o impacto da movimentação militar dos Estados Unidos. “A chegada de um navio de guerra deste tipo não afetará a determinação e seriedade do Irã”, declarou. Segundo ele, Teerã mantém plena confiança em seus meios de dissuasão.

Mobilização militar

De acordo com a Fox News, o grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln entrou na área de responsabilidade do Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), no Oceano Índico, conforme informou um funcionário do governo norte-americano. Apesar da movimentação, fontes indicam que as forças dos EUA ainda não estariam prontas para lançar eventuais ataques diretos contra o Irã.

Em 22 de janeiro, o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que navios da Marinha norte-americana estavam se deslocando em direção ao Irã “por precaução”. Na ocasião, ele evitou descartar de forma definitiva uma possível intervenção militar, afirmando que não poderia prever os desdobramentos futuros da situação.

Trump também comparou o posicionamento das forças navais norte-americanas em diferentes regiões. “Temos uma grande armada ao lado do Irã. Maior do que [a que está] perto da Venezuela”, disse o presidente dos Estados Unidos em entrevista ao site Axios.

Mortos em protestos

Paralelamente às tensões externas, dados sobre a situação interna do Irã também voltaram a circular na imprensa internacional. O grupo Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, afirmou que um número próximo de seis mil pessoas morreu durante a onda de protestos no país, ressaltando que o total pode ser ainda maior. A organização informou que investiga outras 17.091 possíveis mortes e acrescentou que pelo menos 41.283 pessoas foram detidas.

Guerra híbrida

Organizações sediadas em Washington, como o Centro Abdorrahman Boroumand para os Direitos Humanos no Irã e a entidade Ativistas de Direitos Humanos no Irã, têm sido citadas como fontes primárias por veículos como The Washington Post, BBC e ABC News. 

Segundo reportagem da TeleSUR, ambas recebem financiamento da Fundação Nacional para a Democracia (NED, na sigla em inglês), criada em 1983 sob a supervisão do então diretor da CIA, William Casey.

Ainda de acordo com a TeleSUR, a disputa em torno do Irã não se limita à atuação dos Estados Unidos. O Mossad, serviço de inteligência de Israel, também teria ingressado nesse cenário, apoiando ações associadas ao governo Trump, ampliando o contexto de pressão externa sobre Teerã em meio ao atual agravamento das tensões regionais.

Artigos Relacionados