HOME > Mundo

Trump reacende tensão, envia frota ao Golfo Pérsico e Irã reage "com o dedo no gatilho"

Presidente dos EUA diz querer acompanhar “de perto” as movimentações no Irã e fala em “precaução”

Imagem ilustrativa de bandeiras dos EUA e do Irã - 18/06/2025 (Foto: REUTERS/Dado Ruvic)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que autorizou o envio de uma grande força naval americana ao Golfo Pérsico com o objetivo de acompanhar “de perto” os movimentos do Irã, em meio ao aumento das tensões entre os dois países. A declaração foi feita uma semana após a revelação do deslocamento do porta-aviões USS Abraham Lincoln e de seu grupo de ataque do Mar da China Meridional para o Oriente Médio, sinalizando uma escalada militar na região. 

Ao comentar a movimentação militar, Trump disse que a decisão envolve uma postura preventiva diante do cenário regional. “Temos uma grande armada indo naquela direção e veremos o que acontece. É uma grande força indo em direção ao Irã”, afirmou o presidente dos Estados Unidos, em declaração feita a bordo do Air Force One, durante o retorno de Davos, na Suíça, onde participou do Fórum Econômico Mundial, para Washington.

A resposta iraniana veio de forma imediata e contundente. O comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, general Mohammad Pakpour, alertou para o risco de “erros de cálculo” por parte de Washington e afirmou que as forças do país estão “com o dedo no gatilho”. Segundo ele, o aparato militar iraniano está preparado para reagir a qualquer ação hostil. “Estamos mais preparados do que nunca, prontos para cumprir as ordens e medidas do líder supremo”, declarou, em referência ao aiatolá Ali Khamenei.

Além do porta-aviões USS Abraham Lincoln, a mobilização americana inclui destróieres, caças e aeronaves especializadas em interferência eletrônica. Também foram enviados dez aviões de reabastecimento aéreo KC-135 para a Europa, com destino a bases no Oriente Médio, reforçando a capacidade operacional das forças dos Estados Unidos na região.

Trump reiterou que prefere evitar um confronto direto, mas destacou que o governo americano acompanha atentamente a situação. “Eles sabem que temos muitos navios indo naquela direção por precaução. Preferiria que nada acontecesse, mas estamos acompanhando a situação de perto”, disse. O presidente dos Estados Unidos voltou a afirmar que a pressão de Washington teria levado Teerã a suspender a execução de 837 manifestantes, em meio à repressão aos protestos internos.

Outro alto oficial iraniano, o general Ali Abdollahi Aliabadi, também fez um alerto mais explícito. Segundo ele, caso os Estados Unidos lancem um ataque, “todos os interesses, bases e centros de influência americanos” passariam a ser considerados “alvos legítimos” pelas forças armadas do Irã.

De acordo com informações do Wall Street Journal, a intensificação da presença militar levou assessores do Pentágono e da Casa Branca a discutir diferentes cenários, que vão desde opções mais moderadas até planos que poderiam atingir diretamente instalações da Guarda Revolucionária. O jornal aponta ainda que Trump considera os ativos navais “decisivos” para qualquer estratégia na região.

Apesar do discurso duro, Trump não descartou a via diplomática. À margem do Fórum Econômico Mundial, declarou: “O Irã quer conversar e nós conversaremos”. Ainda assim, as relações seguem marcadas por desconfiança, em um contexto histórico de rivalidade desde a Revolução Islâmica de 1979.

Os Estados Unidos mantêm atualmente oito bases permanentes e cerca de 12 instalações militares no Oriente Médio. Segundo autoridades americanas, essas estruturas precisam ser protegidas de eventuais retaliações iranianas. Após ameaças recentes, militares americanos e britânicos chegaram a ser retirados da base de al-Udeid, no Catar, considerada a maior instalação militar dos EUA na região.

Sistemas de defesa como os mísseis Patriot e Thaad foram posicionados para conter possíveis ataques, a exemplo do que ocorreu durante a guerra de 12 dias entre Tel Aviv, Teerã e Washington, no ano passado. Ainda segundo o Wall Street Journal, uma eventual campanha aérea de maior escala poderia empregar caças F-35, bombardeiros B-2 e submarinos lançadores de mísseis de cruzeiro, embora não haja indícios concretos de deslocamento desses meios neste momento.

Questionado sobre a possibilidade de um ataque direto ao Irã, Trump manteve a indefinição. “Teremos que ver o que acontece com o Irã”, afirmou o presidente dos Estados Unidos, ao lembrar que o regime iraniano teria recuado de novas execuções após alertas de Washington.

No campo diplomático, o conselheiro de segurança nacional e secretário de Estado, Marco Rubio, discutiu a situação com o chanceler da Arábia Saudita, príncipe Faisal bin Farhan Al Saud, cujo apoio é considerado estratégico em qualquer eventual campanha aérea. Paralelamente, o governo americano avalia se teria condições políticas e militares de sustentar uma operação prolongada, caso os protestos no Irã se intensifiquem.

Autoridades iranianas informaram, na quarta-feira, um total de 3.117 mortes desde o início das manifestações, no primeiro balanço oficial divulgado. Organizações de direitos humanos, no entanto, afirmam que o número real de vítimas pode ser significativamente maior.

Dentro da Casa Branca, também há debate sobre alternativas à ação militar. Alguns assessores defendem o uso de instrumentos não bélicos, como o endurecimento das sanções econômicas. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que a pressão financeira já produziu efeitos. “É por isso que as pessoas foram às ruas. Isso é estratégia econômica, sem confrontos armados, e as coisas estão caminhando de forma muito positiva por aqui”, declarou, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.

Artigos Relacionados