Prefeito de Minneapolis anuncia saída parcial do ICE da cidade após diálogo com Trump
Jacob Frey afirma que município seguirá cooperando em investigações criminais, mas não em prisões inconstitucionais
247 - O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, afirmou na noite de segunda-feira (26) que, após uma conversa telefônica com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ficou acertado que parte dos agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) começará a deixar a cidade a partir desta terça-feira. As informações são do jornal Folha de São Paulo.
Dois cidadãos mortos em operações do ICE em menos de um mês
A declaração ocorre após uma série de operações de imigração em Minneapolis e depois do assassinato de dois cidadãos estadunidenses em menos de um mês durante ações conduzidas por agentes federais. No sábado (24), o enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos, foi morto a tiros enquanto filmava uma operação. No início de janeiro, Renee Nicole Good também foi assassinada pelo ICE.
Segundo Frey, a prefeitura continuará dialogando para garantir a retirada completa dos agentes responsáveis pelas operações na cidade. Em sua publicação, ele afirmou que Minneapolis seguirá cooperando com o estado e com autoridades federais em investigações criminais, mas não participará de prisões que considere inconstitucionais nem atuará na aplicação direta da lei federal de imigração.
Prefeito promete não participar de prisões inconstitucionais
"Minneapolis vai continuar a cooperar com o estado e forças de justiça federais em investigações criminais reais, mas nós não vamos participar de prisões inconstitucionais dos nossos vizinhos ou executar a lei de imigração federal", disse o prefeito.
Ainda de acordo com Frey, a administração municipal seguirá trabalhando para manter a segurança da comunidade, preservar baixos índices de criminalidade e priorizar os moradores da cidade. Ele também informou que pretende se reunir com Tom Homan, encarregado das fronteiras que deve assumir o controle das operações do ICE em Minneapolis.
Republicanos criticam ações do ICE em Minneapolis
A conversa entre o prefeito e Trump ocorre em meio ao aumento de protestos contra a presença de agentes federais na cidade e após críticas dirigidas ao governo federal, inclusive por integrantes do Partido Republicano. O senador Bill Cassidy, da Louisiana, classificou a morte de Alex Pretti como "extremamente perturbadora" e afirmou que a credibilidade do ICE e do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos está em risco, defendendo uma investigação completa conduzida por autoridades federais e estaduais.
Chris Madel, também republicano, retirou sua pré-candidatura ao governo de Minnesota e criticou publicamente as ações do ICE. Segundo ele, não poderia apoiar medidas que classificou como retaliação contra cidadãos do próprio estado.
Trump anuncia "ótimo progresso" em conversa com prefeito
Trump também comentou a conversa com o prefeito por meio de suas redes sociais, sem detalhar o conteúdo do diálogo. O presidente afirmou apenas que houve "ótimo progresso" e que Frey deverá se reunir com Tom Homan nesta terça-feira (27).
Mais cedo, Trump havia publicado que teve uma "conversa muito boa" com o governador de Minnesota, Tim Walz, afirmando que ambos estavam "na mesma frequência". Horas depois, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse a jornalistas que o presidente condicionou a redução da presença de agentes federais no estado à cooperação das autoridades locais com deportações em massa.
Casa Branca condiciona redução de agentes à cooperação local
"Hoje, o presidente delineou um plano simples e concreto para restabelecer a lei e a ordem em Minnesota", afirmou Leavitt. Segundo ela, o governo federal exige que autoridades estaduais e municipais entreguem imigrantes em situação irregular com antecedentes criminais ou mandados em aberto, além de permitir a cooperação direta das polícias locais com agentes federais.
Caso essas condições sejam cumpridas, segundo Leavitt, a presença de agentes da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos não seria mais necessária, embora o ICE continuasse atuando no estado. A porta-voz indicou ainda que o governo defende o fim do status de cidades santuário em Minnesota, como é o caso de Minneapolis.
Governo Trump responsabiliza vítimas e democratas por tensões
As operações do ICE e da Patrulha de Fronteira têm provocado tensão e manifestações em Minneapolis há semanas. Nos dois episódios de mortes recentes, o governo Trump atribuiu responsabilidade às vítimas. No caso de Alex Pretti, autoridades federais chegaram a classificá-lo como "terrorista doméstico", alegação que não foi repetida pela Casa Branca nesta segunda-feira.
Durante a coletiva, Leavitt afirmou que ninguém no governo deseja ver pessoas feridas ou mortas, incluindo civis e agentes federais, mas voltou a responsabilizar, sem provas, lideranças democratas pela escalada de tensões na cidade. Ela também criticou comparações feitas entre o serviço de imigração e a Gestapo nazista e pediu ao Congresso a aprovação de uma lei que proíba a não cooperação de governos locais com autoridades federais de imigração.


