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Premiê da Bélgica defende normalizar relações da União Europeia com a Rússia

Bart De Wever afirma que reaproximação permitiria retomar acesso à energia russa mais barata e ajudar a encerrar conflito na Ucrânia

Bart De Wever (Foto: REUTERS/Yves Herman)

247 - O primeiro-ministro da Bélgica, Bart De Wever, afirmou que a Europa deveria normalizar as relações com a Rússia e voltar a ter acesso à energia russa mais barata, como parte de um possível acordo para encerrar o conflito na Ucrânia. A declaração foi feita em entrevista publicada no sábado (14) pelo jornal belga L’Echo. Na entrevista, De Wever disse que o continente precisa restabelecer os laços com Moscou para enfrentar a crise energética.

Segundo informações da Bloomberg, o primeiro-ministro afirmou que, “a portas fechadas”, líderes europeus concordam com essa avaliação. A proposta provocou reações imediatas entre autoridades da União Europeia, que rejeitaram a ideia de retomar as relações com a Rússia. Ministros do bloco se manifestaram sobre o tema durante uma reunião realizada em Bruxelas na segunda-feira (16).

Reação de ministros europeus

A ministra de Energia da Suécia, Ebba Busch, criticou duramente a declaração do premiê belga e disse que a medida seria incompatível com a situação atual do conflito na Ucrânia. “A Rússia está matando vidas inocentes na Ucrânia todas as semanas. Não vamos comprar gás da Rússia. Não vamos alimentar a máquina de guerra russa”, afirmou.

Busch acrescentou que reverter a decisão europeia de reduzir a dependência energética de Moscou significaria um erro grave. “Se respondermos a este momento de necessidade e crise revertendo a decisão de nos afastarmos da dependência russa, perdemos completamente nossa bússola moral”, declarou.

O comissário de Energia da União Europeia, Dan Jorgensen, também criticou a proposta e destacou que o bloco busca reduzir de forma definitiva sua dependência energética da Rússia. “Ficamos dependentes por muito tempo da energia da Rússia, permitindo que Putin nos chantageasse com energia”, disse Jorgensen. “Estamos determinados a manter esse rumo.”

Planos da UE

Desde o início do conflito na Ucrânia, a União Europeia reduziu significativamente as importações de energia russa. O bloco aprovou um plano para eliminar gradualmente o gás russo até 2027. Além disso, a Comissão Europeia pretende apresentar no próximo mês uma proposta para proibir as importações restantes de petróleo russo, que atualmente ainda abastecem Hungria e Eslováquia.

Países do Leste europeu também reagiram às declarações de De Wever. O ministro das Relações Exteriores da Lituânia, Kestutis Budrys, afirmou que a experiência da região mostra os riscos da dependência energética de Moscou. “Nós sabemos por experiência própria que não há nada mais caro neste mundo do que o petróleo russo barato”, disse.

Críticas dentro do governo belga

As declarações do primeiro-ministro também provocaram reação dentro do próprio governo da Bélgica. O vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores, Maxime Prévot, afirmou que o diálogo com Moscou não significa normalização das relações. Segundo ele, a Rússia tem rejeitado a participação europeia nas negociações e mantém exigências consideradas máximas.

Prévot afirmou que discutir normalização nesse contexto enfraquece a posição do bloco. “Enquanto isso continuar, falar em normalização envia um sinal de fraqueza e enfraquece a unidade europeia de que precisamos agora mais do que nunca”, declarou.

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