EUA suspendem temporariamente sanções ao petróleo russo
Licença emitida por Washington permite comercialização limitada de petróleo da Rússia e ocorre em meio à disparada global dos preços da commodity
247 - Os Estados Unidos autorizaram temporariamente a venda de petróleo bruto e derivados russos que já estavam embarcados em navios, em uma decisão que marca a primeira flexibilização de sanções energéticas contra Moscou desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022. A licença, válida até 11 de abril, foi divulgada pelo Departamento do Tesouro norte-americano e permite a comercialização de cargas que já estavam em trânsito.
Segundo o governo norte-americano, a medida tem caráter limitado e não altera a estrutura central das sanções impostas ao setor energético russo desde o início do conflito. Desde março de 2022, empresas dos Estados Unidos estavam proibidas de adquirir petróleo russo.
Licença temporária e impacto nas sanções
A autorização anunciada na quinta-feira (12) permite que petróleo russo carregado antes da emissão da licença seja vendido normalmente até o prazo estabelecido. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que a decisão tem natureza emergencial e alcance restrito. Segundo ele, trata-se de uma medida “de curto prazo” aplicada exclusivamente a cargas já em trânsito e que “não proporcionará benefício financeiro significativo ao governo russo”.
Nos últimos meses, Washington havia intensificado a pressão econômica sobre Moscou. Em outubro do ano passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou sanções contra qualquer operação comercial envolvendo as duas maiores empresas petrolíferas da Rússia — a estatal Rosneft e a companhia privada Lukoil. A iniciativa afetou diretamente as exportações de petróleo russo, que registraram queda nos meses seguintes.
O endurecimento das restrições também impactou empresas de transporte marítimo e países importadores do produto. A Índia, segundo maior destino do petróleo russo após a China, foi uma das economias afetadas pela ameaça de sanções secundárias. O país asiático chegou a firmar um compromisso com Washington para interromper a compra do óleo russo, mas o veto foi suspenso na semana passada por 30 dias diante das turbulências no mercado energético provocadas pela guerra no Oriente Médio.
Liberação de reservas estratégicas
A flexibilização nas sanções ocorre um dia após o Departamento de Energia dos Estados Unidos anunciar a liberação de 172 milhões de barris da reserva estratégica de petróleo do país. O objetivo da medida é conter a escalada nos preços internacionais da commodity.
Mesmo com a iniciativa norte-americana, o mercado petrolífero continua sob forte pressão. Nesta quinta-feira (12), os preços voltaram a subir e ultrapassaram novamente a marca de US$ 100 por barril pela primeira vez desde 2022.
O petróleo Brent, referência global para o mercado internacional, fechou o dia cotado a US$ 101,75, registrando alta de 10,6% na sessão. No início da semana, a cotação chegou a atingir US$ 119,46 na segunda-feira (9), antes de recuar para níveis abaixo de três dígitos ao longo do mesmo dia.
Tensões no Oriente Médio pressionam preços
A nova escalada nos preços ocorre após uma série de ataques contra infraestruturas petrolíferas em países do golfo Pérsico, ampliando as preocupações com a segurança das rotas de abastecimento global.
A Agência Internacional de Energia (AIE) também anunciou recentemente a liberação de 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas — a maior mobilização já realizada pela organização. Ainda assim, o mercado continua em alerta.
Uma das principais preocupações envolve o estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. De acordo com autoridades do setor, muitos navios-petroleiros têm evitado a região devido ao risco de ataques.
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou à CNBC que a Marinha norte-americana não pode, neste momento, escoltar navios pela rota marítima. Ele indicou, no entanto, que essa possibilidade pode ser considerada nas próximas semanas.
Wright também avaliou que, apesar da volatilidade no mercado energético global, é improvável que o preço do petróleo alcance US$ 200 por barril, mesmo diante da continuidade dos ataques atribuídos ao Irã contra embarcações na região.


