Presidente da Apex vê com apreensão acordo Mercosul-UE após decisão europeia
Jorge Viana aponta resistência na Europa, judicialização do pacto e impacto do tarifaço dos EUA
247 - O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Jorge Viana, afirmou, nesta quinta-feira (22), que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia passou a ser visto com apreensão após o endurecimento do cenário internacional e o avanço da judicialização do tratado no âmbito europeu. Segundo ele, o contexto se tornou mais complexo depois do recente aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos e das disputas internas na União Europeia sobre o pacto.
Viana ressaltou que o acordo reúne dois grandes blocos econômicos e envolve o segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) do mundo, estimado em US$ 22 trilhões. Para o presidente da Apex, o tratado é benéfico para ambos os lados, embora enfrente forte resistência política dentro da Europa.
De acordo com Viana, as salvaguardas previstas no texto do acordo são fundamentais para evitar distorções de mercado e proteger setores mais sensíveis. Ainda assim, ele reconheceu que o debate europeu tem se intensificado, especialmente diante das pressões de grupos contrários à abertura comercial.
O dirigente também relatou ter conversado, na quarta-feira (21), com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sobre a tramitação do acordo no Brasil. Segundo Viana, Alcolumbre indicou que a aprovação do tratado no Congresso Nacional deverá ser uma prioridade em 2026.
“Ele, Alcolumbre, vai transformar esse tema na agenda principal da volta dele agora para o recesso. Essa é a principal agenda. Vamos ver se ele age junto com os líderes dos Congressos do Mercosul, para aprovar o quanto antes, no Brasil e no Mercosul. É uma maneira educada de pressionarmos os europeus”, declarou.
Viana reforçou que o governo brasileiro pretende acelerar o processo de internalização do acordo, posição que, segundo ele, já foi expressa pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. Na avaliação do presidente da Apex, a resistência ao tratado não se limita a um espectro ideológico específico.
“Setores mais extremos à esquerda e setores mais extremos à direita se juntaram, criaram uma espécie de colisão contra o acordo”, afirmou.
O presidente da Apex informou ainda que o Conselho Europeu deve se posicionar nesta quinta-feira (22) sobre o andamento da votação do acordo Mercosul-UE. Ele lembrou que a revisão jurídica do texto, hoje em curso, também foi adotada em outros tratados internacionais firmados pela União Europeia, como o acordo com o Canadá.
Por fim, Viana ponderou que não cabe ao Brasil pressionar o Judiciário europeu ou adotar mecanismos de implementação provisória do acordo, ressaltando que essas decisões estão restritas às instâncias internas da União Europeia.


