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Pressão por impeachment de Trump cresce após agressão dos EUA à Venezuela

Ação militar em Caracas, críticas da ONU e acusações de ilegalidade alimentam reação de democratas contra o presidente dos Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - 28/10/2025 (Foto: Evelyn Hockstein/Reuters)

247 - A ofensiva dos Estados Unidos na Venezuela, comandada pelo presidente Donald Trump, desencadeou uma onda de críticas internacionais e reacendeu o debate político interno sobre os limites do poder presidencial. A operação, realizada antes do amanhecer de sábado (3) em Caracas, resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, e passou a ser apresentada pela Casa Branca como uma vitória estratégica.No entanto, segundo reportagem da revista TIME, a ação foi recebida com forte preocupação por organismos internacionais e por lideranças políticas dentro e fora dos Estados Unidos. Na terça-feira (6), a Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que a iniciativa norte-americana tornou “todos os Estados menos seguros ao redor do mundo”, somando-se às advertências de líderes globais sobre os impactos da intervenção. As declarações de Trump, nas quais sugeriu a possibilidade de novas ações militares em outros países, ampliaram o clima de apreensão.

No cenário doméstico, a resposta política ganhou intensidade. Parlamentares do Partido Democrata passaram a defender abertamente a abertura de um novo processo de impeachment contra o presidente dos Estados Unidos. A deputada April McClain Delaney, representante de Maryland, afirmou na segunda-feira (5) que a Bancada Democrata da Câmara deveria “considerar de forma iminente processos de impeachment” em razão da atuação militar na Venezuela.

“Durante o fim de semana, vimos o presidente — sem autorização ou aprovação do Congresso, como exige nossa Constituição — lançar um ataque contra a Venezuela e manifestar sua intenção de ‘comandar’ o país”, declarou Delaney. Ela também criticou os republicanos, acusando-os de “permitirem que Trump desafie o Estado de Direito”. Em apelo direto ao Legislativo, acrescentou: “É hora — ponto final — de o Congresso assumir sua responsabilidade e pôr fim às ações não autorizadas e prejudiciais desta administração”.

A pressão não se limitou à Câmara dos Representantes. Na Califórnia, o senador estadual Scott Wiener, que disputa uma vaga no Congresso anteriormente ocupada por Nancy Pelosi, classificou a operação como uma “invasão e golpe ilegal” e defendeu o impeachment de Trump. “Trump invadiu ilegalmente a Venezuela, tomando e bombardeando a capital, apreendendo os ativos petrolíferos do país e fazendo o presidente Maduro e sua esposa prisioneiros”, afirmou Wiener em comunicado divulgado no sábado. Ele sustentou que o presidente “não tem autoridade legal” para tal ação e alertou que o precedente poderia estimular conflitos globais, citando China e Rússia.

A deputada Delia C. Ramirez, de Illinois, foi ainda mais dura ao descrever o sequestro de Maduro como uma operação “ilegal”, que representou “violações perigosas do direito internacional e da legislação dos Estados Unidos”. “Trump e sua administração estão fora de controle porque acreditam ser intocáveis. Mas não são… Trump deve sofrer impeachment”, declarou Ramirez, ao defender a aprovação da Resolução de Poderes de Guerra apresentada pela deputada Ilhan Omar no ano anterior.

Essa resolução, que prevê a retirada das Forças Armadas dos Estados Unidos de hostilidades não autorizadas pelo Congresso, foi encaminhada ao Comitê de Relações Exteriores da Câmara e ainda aguarda análise. O deputado Dan Goldman, de Nova York, também acusou Trump de empregar “táticas ilegais e inconstitucionais semelhantes às de Maduro”, afirmando que a ação “mina nossa democracia, viola a Constituição e encoraja líderes autoritários ao redor do mundo”.

“Creio que a verdadeira motivação do presidente Trump seja assumir o controle das vastas reservas de petróleo da Venezuela como um favor a executivos do setor petrolífero que o ajudaram a se eleger”, declarou Goldman. Ele classificou a operação como uma “violação da Constituição dos Estados Unidos” e, portanto, um “ato passível de impeachment”.

A deputada Maxine Waters, da Califórnia e co-presidente do Congressional Caribbean Caucus, reforçou as críticas ao afirmar que Trump não tinha autoridade “para contornar o Congresso e lançar ataques militares contra uma nação soberana, ao mesmo tempo em que admite de forma explícita que controlar o petróleo venezuelano faz parte de sua motivação”. Waters reconheceu que, diante do atual cenário político, muitos democratas questionavam a viabilidade de um novo impeachment, mas afirmou estar “reavaliando essa posição”.Em resposta, a Casa Branca saiu em defesa do presidente dos Estados Unidos. Em mensagem enviada à TIME, a vice-secretária de imprensa Anna Kelly declarou que a administração “executou legalmente um mandado federal de prisão contra Nicolás Maduro”, expedido por um juiz, acusando o líder venezuelano de envolvimento com narcotráfico. Segundo ela, as críticas democratas representam “posições distorcidas” diante da intervenção militar.

O debate ocorre em um contexto marcado por precedentes históricos. Donald Trump já enfrentou dois processos de impeachment. Em dezembro de 2019, foi acusado de pressionar a Ucrânia a investigar Joe Biden, então ex-vice-presidente. Apesar da aprovação das acusações na Câmara, foi absolvido pelo Senado em fevereiro de 2020. Em 2021, voltou a ser alvo de impeachment após ser responsabilizado por incitar a invasão do Capitólio em 6 de janeiro, sendo novamente absolvido por não se alcançar a maioria qualificada no Senado.

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