HOME > Mundo

Primeiro-ministro da Espanha condena operação militar dos EUA na Venezuela

Pedro Sánchez vê interesse econômico em ação dos EUA

Primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, participa do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça (Foto: REUTERS/Yves Herman)

247 - O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, declarou que a ação militar contra o governo de Nicolás Maduro executada pelos Estados Unidos teve o objetivo de "se apropriar dos recursos naturais" da Venezuela. A fala foi feita nesta terça-feira (6), em Paris, informa o G1. Sánchez acompanha a posição de outros líderes europeus e afirmou que a operação criou um "precedente terrível e muito perigoso" no cenário internacional.

"A Espanha nunca reconheceu o governo Maduro porque ele violou as regras, porque sua eleição foi ilegítima, e precisamente por essa razão não pode reconhecer a legitimidade de uma ação militar que é claramente ilegal, que viola o direito internacional e cujo único objetivo parece ser o de mudar o governo de outro país para se apropriar de seus recursos naturais", declarou também o premiê espanhol.

Condenação da ONU

A Organização das Nações Unidas condenou a operação conduzida pelos Estados Unidos. Em nota oficial, a entidade afirmou que a ação violou de forma clara um princípio fundamental do direito internacional. "Os Estados não devem ameaçar nem usar a força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado", disse Ravina Shamdasani, porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU.

A manifestação ocorreu três dias após a operação militar realizada pelos EUA em Caracas, no sábado (3), com o objetivo de sequestrar Nicolás Maduro. Na ocasião, as forças armadas estadunidenses mobilizaram cerca de 150 aeronaves e bombardearam a capital venezuelana.

Segundo a ONU, a ação viola o Artigo 2º, parágrafo 4, da Carta das Nações Unidas, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado. O parágrafo 7 do mesmo artigo também estabelece o princípio da não intervenção em assuntos internos de outros países.

Reação internacional

O sequestro de Maduro gerou forte reação internacional. Rússia e China condenaram a operação durante reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU na segunda-feira (5). A China classificou a ação como "bullying", enquanto a Rússia chamou o governo Trump de "hipócrita e cínico".

Ravina Shamdasani afirmou ainda que a intervenção deixou o mundo mais inseguro. "A intervenção dos EUA na Venezuela danifica a arquitetura da segurança internacional (...) porque manda o recado de que os poderosos podem fazer o que quiserem", declarou.

Artigos Relacionados