Príncipe exilado do Irã é alvo de protesto na Alemanha
A substância lançada contra Pahlavi parecia ser suco de tomate
247 - O príncipe herdeiro exilado do Irã, Reza Pahlavi, foi atingido por um líquido vermelho nesta quinta-feira (23) ao deixar um prédio em Berlim, na Alemanha, logo após participar de uma coletiva de imprensa em que criticou o cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos. O incidente ocorreu do lado de fora do edifício onde funciona a conferência federal de imprensa, sem que o político sofresse ferimentos.
Segundo informações da Associated Press, a substância lançada contra Pahlavi parecia ser suco de tomate, de acordo com a polícia alemã, que deteve imediatamente o suspeito, cuja identidade não foi divulgada em razão das regras de privacidade do país.
Imagens do momento mostram que o líquido atingiu a parte de trás do blazer e o pescoço de Pahlavi. Apesar do episódio, ele acenou para apoiadores antes de entrar em um carro que deixou o local. O príncipe, de 65 anos, é filho do último xá do Irã, deposto em 1979 após uma revolta popular que levou milhões às ruas.
Mesmo após quase cinco décadas no exílio, Pahlavi tenta se posicionar como uma alternativa política para o futuro do Irã. Ainda assim, não há clareza sobre o nível de apoio que mantém dentro do país. Durante sua passagem por Berlim, centenas de simpatizantes realizaram manifestações nas proximidades do Parlamento alemão, segundo a agência de notícias dpa.
Na coletiva, Pahlavi criticou o acordo de cessar-fogo, argumentando que ele parte do pressuposto de que o comportamento do governo iraniano mudará. “Você está lidando com pessoas que, de repente, se tornaram pragmáticas”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Eu não vejo isso acontecendo. Não estou dizendo que a diplomacia não deva ter uma chance, mas acho que a diplomacia já teve chance suficiente”.
O príncipe também defendeu maior apoio europeu aos iranianos que lutam por democracia. Segundo ele, 19 prisioneiros políticos teriam sido executados nas últimas duas semanas, enquanto outras 20 pessoas teriam sido condenadas à morte. “O mundo livre fará algo ou assistirá ao massacre em silêncio?”, questionou.
Apesar da visita à Alemanha, Pahlavi não foi convidado para reuniões com representantes do governo local. Mais de uma hora após o incidente, o chanceler alemão Friedrich Merz divulgou um comunicado oficial no qual saudou a extensão do cessar-fogo.
“O acordo representa uma oportunidade importante para retomar negociações diplomáticas em Islamabad com o objetivo de promover a paz e evitar uma nova escalada do conflito”, afirmou o governo alemão em nota. “Teerã deve aproveitar essa oportunidade”.


