Trump ameaça punir aliados da OTAN por recusa a participar em guerra contra Irã
Plano dos EUA prevê sanções e reorganização militar que pode aprofundar divisões na aliança atlântica
247 - O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prepara medidas para punir países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) que se recusaram a apoiar a guerra contra o Irã e que não atingiram metas de gastos militares. A estratégia, que prevê sanções e mudanças na presença militar americana, pode aprofundar divisões dentro da aliança atlântica.
A informação foi divulgada pela Telesur, com base em dados publicados originalmente pelo site Politico. Segundo a reportagem, Washington elaborou uma espécie de classificação interna entre os membros da OTAN, separando “aliados modelo” de países considerados “rebeldes”, como parte da nova Estratégia de Defesa Nacional.
De acordo com diplomatas e autoridades de defesa europeias, os países estão sendo avaliados com base no apoio às operações militares dos Estados Unidos contra o Irã e no cumprimento das metas de investimento em defesa. A meta defendida por Trump é que os aliados destinem cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) ao setor militar.
Classificação divide aliados da OTAN
Na prática, os países que atenderam às exigências de Washington ou apoiaram a chamada Operação Epic Fury, conduzida no Oriente Médio, devem receber tratamento diferenciado. Já aqueles que resistiram à estratégia americana podem enfrentar consequências diretas.
A Casa Branca expressou insatisfação com a falta de apoio à guerra contra o Irã, realizada em parceria com Israel desde 28 de fevereiro. A porta-voz Anna Kelly afirmou que os Estados Unidos responsabilizarão os países que não cooperaram, classificando o cenário atual como injusto.
Entre os países que rejeitaram pedidos de assistência dos EUA estão Espanha, Reino Unido e França. Por outro lado, Romênia, Bulgária e nações bálticas facilitaram o uso de bases militares e ofereceram apoio logístico às operações.
Possíveis sanções e movimentação de tropas
O plano do governo Trump prevê uma série de medidas contra os países considerados “maus aliados”. Entre elas estão a retirada ou redistribuição de tropas americanas, a suspensão de exercícios militares conjuntos e restrições à venda de armamentos.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, indicou que países como Polônia, Israel, Coreia do Sul, Alemanha e os Estados bálticos (Lituânia, Letônia e Estônia) devem receber “tratamento especial” por seu engajamento nas ações lideradas pelos Estados Unidos.
Especialistas avaliam que uma eventual reorganização das tropas americanas na Europa deve beneficiar principalmente países do Leste Europeu. A Polônia, por exemplo, já arca com grande parte dos custos dos cerca de 10 mil soldados dos EUA em seu território, enquanto a Romênia autorizou o uso da Base Aérea Mihail Kogălniceanu nas operações contra o Irã.
Incertezas e críticas ao plano
Apesar do discurso de Washington, autoridades europeias indicam que ainda não há um plano detalhado para implementar as medidas. Uma fonte ouvida sob condição de anonimato afirmou que “deslocar tropas é uma opção, mas isso pune principalmente os Estados Unidos”.
Nos Estados Unidos, o plano também enfrenta questionamentos. No Capitólio, o senador Roger Wicker criticou o que considera um tratamento desrespeitoso às alianças estratégicas tradicionais.
Analistas apontam ainda que o governo Trump pode enfrentar dificuldades políticas para conduzir uma crise interna na OTAN enquanto mantém envolvimento em conflitos externos. O ex-funcionário Joel Linnainmäki avaliou que a administração americana pode não ter capacidade para lidar com mais uma tensão estrutural dentro da aliança em meio à continuidade da guerra.


