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Produção de petróleo do Iraque colapsa após bloqueio do Estreito de Ormuz, diz Reuters

Conflito regional interrompe exportações, derruba produção em 70% e expõe forte dependência da economia iraquiana do petróleo

Vista aérea da costa iraniana e do porto de Bandar Abbas, no estreito de Ormuz, em 10 de dezembro de 2023 (Foto: REUTERS/Stringer)

BAGDÁ, 8 de março (Reuters) - A produção de petróleo iraquiana em seus principais campos petrolíferos no sul do país caiu 70%, para apenas 1,3 milhão de barris por dia, devido à impossibilidade de exportar petróleo pelo Estreito de Ormuz em função da guerra com o Irã, disseram três fontes da indústria neste domingo.

A produção dos campos era de cerca de 4,3 milhões de barris por dia antes da guerra.

"O armazenamento de petróleo bruto atingiu a capacidade máxima e a produção restante após o grande corte será usada para abastecer as refinarias do país", disse um funcionário da estatal Basra Oil Company (BOC), que administra as operações de produção e exportação dos campos do sul.

O Estreito de Ormuz é um dos principais pontos de estrangulamento do trânsito de petróleo no mundo, transportando aproximadamente um quinto do fluxo global de petróleo e gás natural liquefeito.

As exportações do membro da OPEP também caíram drasticamente para uma média de cerca de 800.000 barris por dia no domingo, com apenas dois petroleiros carregando, porque os navios não conseguem se mover livremente pelo estreito até os terminais do sul do Iraque, disse a fonte.

Os dois navios-tanque, Cospearl Lake e Yuan Hua Hu, concluíram o carregamento de cerca de 2 milhões de barris de petróleo bruto cada um por volta das 20h, horário local (17h GMT), e sem a chegada de novas embarcações, o fluxo de petróleo dos terminais de exportação do sul do Iraque foi interrompido, disseram à Reuters três funcionários do setor petrolífero e um agente marítimo.

Um documento do Ministério do Petróleo revelou que as exportações de petróleo do Iraque provenientes dos campos petrolíferos do sul do país atingiram 3,334 milhões de barris por dia em fevereiro.

A queda na produção e nas exportações de petróleo do Iraque deverá pressionar ainda mais as finanças já frágeis do país, uma vez que o Estado depende da venda de petróleo bruto para quase todos os gastos públicos e mais de 90% de sua receita.

"Esta é a ameaça operacional mais séria que o Iraque enfrentou em mais de 20 anos", disse um alto funcionário do Ministério do Petróleo iraquiano.

Reportagem de Ahmed Rasheed em Bagdá e Aref Mohammed em Basra, edição de Louise Heavens, Alexandra Hudson e Ros Russell.

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