"Quando você mata os negociadores, o que sobra são os guerreiros", diz Celso Amorim, sobre a situação no Irã
Assessor de Lula critica ruptura diplomática e defende mediação internacional em cenário de tensões globais
247 - O ex-chanceler e assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência, Celso Amorim, criticou o enfraquecimento da diplomacia nas negociações envolvendo o Irã e alertou para o risco de escalada de conflitos. Ao comentar o cenário internacional, ele afirmou: “quando você mata os negociadores, o que sobra são os guerreiros”. Amorim cumpre agenda internacional na França e na Turquia nesta semana, com foco no acompanhamento de temas prioritários da política externa brasileira e no fortalecimento do diálogo com parceiros estratégicos.
Fórum internacional discute desafios à paz
Na sexta-feira (17), Amorim participou da abertura do Fórum Diplomático de Antalya, evento que reuniu lideranças globais, incluindo o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan. O encontro abordou o cenário geopolítico atual, com ênfase nos desafios à estabilidade internacional e à construção de soluções pacíficas para conflitos.

No sábado (18), o assessor integrou o painel “Emerging Partnerships in International Peace Mediation”, dedicado à mediação internacional. O debate contou com representantes de diferentes países e organismos multilaterais, como o ministro de Estado do Catar, Mohammed bin Abdulaziz Al Khulaifi, e a subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos, Rosemary A. DiCarlo.

Cooperação com a Turquia e indústria de defesa
À margem do fórum, Amorim se reuniu com o ministro da Indústria e Tecnologia da Turquia, Mehmet Fatih Kacır. As conversas incluíram a ampliação da cooperação bilateral no setor aeroespacial, com destaque para a possibilidade de parceria entre a Embraer e empresas turcas.

Entre os temas discutidos estão iniciativas em aviação comercial, desenvolvimento de aeronaves militares, como o KC-390, e projetos conjuntos para novos modelos. Também foram exploradas oportunidades na indústria de defesa, incluindo aquisição de equipamentos e criação de joint ventures para fortalecer capacidades tecnológicas e produtivas do Brasil.
Diálogo sobre o Irã e histórico de mediação
Durante encontro na residência do ex-primeiro-ministro turco Ahmet Davutoğlu, Amorim se reuniu com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki. A conversa resgatou a aproximação diplomática entre Brasil, Irã e Turquia nos anos 2000.
Os participantes revisitaram o acordo nuclear de Teerã, resultado de negociações conduzidas pelos três países, considerado à época uma alternativa baseada no uso pacífico da energia nuclear. Segundo os relatos, a iniciativa enfrentou resistência de potências internacionais, que mantiveram sanções e não apoiaram o processo.
O grupo também defendeu a ideia de um Oriente Médio livre de armas nucleares e avaliou que os princípios daquele acordo ainda podem servir de base para soluções diplomáticas contemporâneas.
Agenda inclui diálogo com a França
Antes da passagem pela Turquia, Amorim esteve em Paris, onde se reuniu com Emmanuel Bonne, assessor diplomático do presidente francês, Emmanuel Macron. O encontro tratou do cenário internacional e da possibilidade de coordenação entre países comprometidos com o multilateralismo e a estabilidade global.
A agenda internacional reforça o papel da diplomacia brasileira em iniciativas de diálogo e mediação, em um momento marcado por tensões geopolíticas e desafios à cooperação internacional.


