"Quando vocês dizem 'No Kings' eu escuto 'Fora Trump'", diz Robert de Niro (vídeo)
Organizador de um dos maiores protestos da história dos Estados Unidos, o ator de Hollywood diz que a era Trump está chegando ao fim
247 – O ator norte-americano Robert de Niro fez um dos discursos mais contundentes contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante as manifestações globais do movimento “No Kings”, que mobilizaram milhões de pessoas neste sábado (28). Em tom direto e sem concessões, De Niro associou o slogan do movimento a um chamado explícito pela saída do atual presidente.
Diante de uma multidão engajada e de uma mobilização histórica, o ator declarou: "Quando eu escuto as multidões cantando ‘No Kings’, o que eu realmente escuto é: Fora Trump. Isso mesmo." A fala sintetiza o espírito dominante dos protestos, que apontam Trump como uma ameaça central à democracia norte-americana.
Ataque frontal ao trumpismo
Em seu discurso, De Niro destacou o caráter inédito do risco representado pelo atual presidente. "Houve outros presidentes que testaram os limites constitucionais de seu poder, mas nenhum representou uma ameaça existencial tão grande às nossas liberdades e à nossa segurança quanto Donald Trump. Ele precisa ser detido, e precisa ser detido agora."
O ator, que é um dos organizadores e apoiadores do movimento ao lado de grupos como o Indivisible, afirmou que apoia a mobilização “150%” e celebrou a adesão massiva da população. "‘No Kings’ é um grande grito de mobilização, e já provou ser extremamente bem-sucedido, com milhões de nós respondendo ao chamado."
Críticas à guerra, à desigualdade e à corrupção
De Niro também fez duras críticas às políticas do governo Trump, incluindo a guerra no Irã e o impacto econômico sobre a população. "Não a guerras desnecessárias que drenam nossos recursos, sacrificam nossos bravos homens e mulheres das Forças Armadas e massacram inocentes."
Ele também denunciou a desigualdade social e o aumento do custo de vida: "Não a alimentos inacessíveis, não a energia inacessível, não a moradia inacessível e não à inflação em seu nível mais alto desde a COVID."
O ator acusou ainda o presidente de corrupção e de favorecer aliados: "Não a um líder corrupto enriquecendo a si mesmo e seus amigos da elite."
Denúncia da violência e do autoritarismo
Em um dos trechos mais fortes do discurso, De Niro condenou a violência estatal: "Não a agentes apoiados pelo governo atirando em nossos vizinhos nas ruas." A fala faz referência direta a episódios recentes envolvendo ações de forças federais contra civis, que se tornaram um dos estopins das manifestações.
Segundo o ator, Trump só consegue avançar em suas políticas devido à conivência de setores do poder político: "Ele não pode fazer todas as coisas terríveis que vem fazendo sem a cumplicidade do Congresso e dos capangas em sua administração. Eles estão ligados a ele pelo medo — medo de perder seus próprios cargos, seu próprio poder."
Chamado à mobilização popular
De Niro destacou a força do movimento “No Kings” como um sinal de resistência crescente. "Olhem para o poder desta revolta nacional. Olhem para o poder deste movimento."
Em tom desafiador, ele afirmou que os apoiadores de Trump deveriam temer a mobilização popular: "Com medo de Trump? Por favor. Não — eles deveriam ter mais medo de nós."
O ator concluiu seu discurso reafirmando valores democráticos e convocando a população à ação política: "Porque ainda acreditamos nos valores fundamentais americanos de justiça, igualdade, decência e bondade. Porque estamos indo das ruas às urnas. E porque todos nós merecemos um país sem reis e sem Trump."
Um símbolo do momento político
A fala de Robert de Niro se tornou um dos momentos mais emblemáticos das manifestações, reforçando o caráter político e ideológico do movimento “No Kings”. Ao transformar o slogan em um chamado explícito contra Trump, o ator ajudou a dar ainda mais clareza ao objetivo central das mobilizações: barrar o avanço do autoritarismo e encerrar o ciclo político liderado pelo atual presidente dos Estados Unidos.
Em meio a uma das maiores ondas de protestos da história recente do país, a mensagem ecoada nas ruas — e amplificada por figuras públicas como De Niro — aponta para um cenário de crescente confronto entre a sociedade civil e o projeto político da extrema-direita norte-americana.


