HOME > Mundo

‘Querer apagar o Irã do mapa é uma ilusão’, diz presidente iraniano

“Enfrentaremos firmemente as ameaças delirantes no campo de batalha”, garantiu Masoud Pezeshkian ao condenar as investidas dos EUA e de Israel

Presidente iraniano Masoud Pezeshkian em Teerã (Foto: Website/WANA via Reuters)

247 - O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, usou a rede social X neste domingo (22) para responder publicamente às ameaças dos Estados Unidos e de Israel contra seu país. Em publicação de tom assertivo, o dirigente iraniano afirmou que nenhuma pressão externa será capaz de dobrar a resistência nacional. A declaração foi amplamente repercutida pela imprensa internacional e ganha peso diante do agravamento do conflito no Oriente Médio.

Nas palavras publicadas pelo próprio Pezeshkian, "a ilusão de apagar o Irã do mapa demonstra desespero contra a vontade de uma nação que faz história." O presidente foi além e deixou um recado direto sobre o principal ponto de pressão geopolítica da região: "Ameaças e terror apenas fortalecem nossa unidade. O Estreito de Ormuz está aberto a todos, exceto àqueles que violam nosso território. Enfrentaremos firmemente as ameaças delirantes no campo de batalha."

Uma das maiores forças militares do mundo

A retórica de resistência de Pezeshkian não é desprovida de respaldo concreto. O Irã figura na 16ª posição do ranking elaborado pelo portal internacional Global Fire Power, referência global na avaliação de poderio militar, que em sua edição de 2025 analisou 145 países com base em mais de 60 critérios — entre eles capacidade aérea, terrestre e naval, estrutura logística e efetivo disponível. Os Estados Unidos lideram a classificação.

O contingente iraniano é expressivo. O país mantém 610 mil militares na ativa e outros 350 mil na reserva. Somam-se a esse número cerca de 220 mil integrantes de forças paramilitares em atuação no território nacional, o que amplia consideravelmente a capacidade de mobilização em cenários de conflito prolongado.

Em termos de equipamentos, o Exército iraniano opera 227 tanques de guerra, 778 aeronaves e 97 navios. Um dos investimentos estratégicos mais relevantes dos últimos anos tem sido a frota de drones: o país conta atualmente com 3.894 dispositivos aéreos não tripulados, empregados tanto em missões de vigilância quanto em ações ofensivas.

Como o conflito chegou a esse ponto

O confronto entre os Estados Unidos e o Irã teve início em 28 de fevereiro, quando o atual presidente norte-americano, Donald Trump, ordenou ataques contra o território iraniano sob a alegação de que o país desenvolvia armamento nuclear. A acusação foi contestada pela Organização das Nações Unidas, que afirmou não dispor de evidências que a sustentassem. Teerã negou as pretensões e respondeu militarmente.

A escalada extrapolou as fronteiras iranianas. Na noite do último sábado (21), um míssil balístico iraniano atingiu um edifício na cidade de Dimona, no sul de Israel — onde fica uma instalação nuclear —, provocando incêndio e ferindo diversas pessoas, conforme relataram os Serviços de Incêndio e Resgate israelenses. O governo iraniano classificou o ataque como retaliação direta às ofensivas contra o complexo atômico de Natanz.

Em paralelo, outro projétil atingiu a cidade de Arad, também no sul israelense, deixando ao menos 71 feridos, de acordo com serviços de emergência locais. O saldo combinado das ofensivas contra as duas cidades chegou a cerca de 200 vítimas.

Diante das ameaças do presidente Donald Trump contra instalações energéticas iranianas, Teerã foi categórica: caso as ameaças se concretizem, o Irã fechará completamente o Estreito de Ormuz — rota por onde passa um quinto de todo o petróleo e gás natural liquefeito consumidos no mundo, e cujo bloqueio teria impacto imediato sobre o abastecimento energético global.

Artigos Relacionados