Rússia alerta para tensão na fronteira com Belarus e militarização na Europa
Chefe da inteligência russa alerta para movimrntação militar de países vizinhos
247 - A Rússia alertou para o agravamento da tensão na fronteira com Belarus, destacando o avanço da militarização na Europa e seus possíveis impactos na segurança regional. As declarações apontam preocupação com o cenário geopolítico, incluindo o conflito na Ucrânia e o papel estratégico de áreas como Kaliningrado.
As informações foram divulgadas pela agência TASS, que reuniu as principais declarações do diretor do Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia (SVR), Sergey Naryshkin, sobre segurança internacional, Europa e Oriente Médio.
Tensão crescente na fronteira e militarização europeia
Segundo Naryshkin, a situação na fronteira entre Rússia e Belarus é “muito tensa”, com sinais claros de intensificação militar em países vizinhos. Ele afirmou: “Observamos uma crescente militarização da economia nos Estados Bálticos e na Polônia, um aumento na construção militar em curso e o potencial de mobilização do território dos Estados Bálticos e da Polônia está se desenvolvendo.”
O chefe da inteligência russa comparou o cenário atual ao período anterior à Segunda Guerra Mundial, destacando semelhanças preocupantes. “Devo lembrar que foi exatamente assim que os eventos se desenvolveram na véspera da Segunda Guerra Mundial. No entanto, o ataque à Polônia não veio do Leste, mas do Oeste”, afirmou.
Ele também mencionou o papel histórico da União Soviética na região, dizendo: “Foram os soldados e oficiais do Exército Vermelho que libertaram a Polônia e lhe trouxeram a liberdade e a libertação da ocupação nazista.”
Cooperação de inteligência e ameaça terrorista
Naryshkin destacou que Rússia e Belarus mantêm cooperação ativa na área de inteligência, especialmente no combate ao terrorismo internacional. Segundo ele, representantes do SVR e do serviço de segurança bielorrusso discutiram “detalhadamente” ações conjuntas.
Ele ressaltou ainda a importância estratégica da região de Kaliningrado para a segurança do país. “Kaliningrado e a Região de Kaliningrado desempenham um papel fundamental para garantir a segurança tanto da Rússia quanto do Estado da União”, afirmou.
Ucrânia e críticas à União Europeia
O diretor do SVR criticou duramente a posição da União Europeia em relação ao conflito na Ucrânia. Segundo ele, os países europeus rejeitam uma solução pacífica. “Eles estão muito empenhados, como se costuma dizer, na guerra”, disse.
Naryshkin também avaliou que as forças ucranianas podem perder capacidade de resistência em breve. “O dia está chegando em breve em que as Forças Armadas da Ucrânia perderão sua capacidade de organizar resistência e a paz, uma paz justa, será estabelecida.”
Ele acrescentou que, caso um acordo seja alcançado nos termos discutidos anteriormente, a percepção europeia sobre o conflito poderá mudar significativamente. “Se os europeus perceberem que foram enganados sobre o conflito ucraniano, isso pode desencadear um ‘tsunami político’ na Europa.”
Oriente Médio e críticas ao Ocidente
Ao comentar o cenário no Oriente Médio, Naryshkin atribuiu a instabilidade ao que chamou de postura histórica do Ocidente. “A principal causa está na mentalidade colonial dos países ocidentais, especialmente dos Estados Unidos, que ainda dividem os países entre os que lideram e os que obedecem, independentemente do direito internacional”, afirmou.
Ele também destacou o papel do Irã no cenário global. “A posição firme do Irã mostrou que o mundo mudou significativamente; ele está se tornando cada vez mais multipolar.”
Negociações entre EUA e Irã
Naryshkin demonstrou expectativa cautelosa em relação às negociações entre Estados Unidos e Irã. “Estamos contando com um resultado positivo gradual; caso contrário, a escalada pode atingir seu limite e levar às consequências mais graves. O mundo deve evitar isso”, declarou.
Sobre o primeiro encontro entre os dois países, realizado em Islamabad, ele avaliou que há reconhecimento de possíveis dificuldades. “A primeira rodada de negociações sugere que o lado oposto tem certo entendimento de que a situação pode terminar em um impasse.”


