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Rússia diz estar pronta para continuar negociações sobre a Ucrânia

Moscou reafirma disposição para diálogo com EUA sobre conflito ucraniano e critica posições de Kiev e líderes europeus

Delegações da Ucrânia, dos EUA e da Rússia fotografadas durante as negociações em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, em 24 de janeiro de 2026. (Foto: Reprodução/Sputnik/Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos)

247 - A Rússia voltou a manifestar interesse em avançar nas negociações com os Estados Unidos para buscar uma solução para o conflito na Ucrânia. A declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, ao destacar que Moscou continua comprometida com o diálogo e com os entendimentos já discutidos entre as duas potências.

Lavrov falou a jornalistas após visita oficial à China e reforçou que o governo russo mantém sua posição de seguir negociando com Washington, com base nos acordos firmados anteriormente.

Segundo o chanceler, a Rússia aceitou “de boa fé” as propostas apresentadas pelos Estados Unidos durante reuniões realizadas no Alasca, em 2025, que incluiriam o reconhecimento jurídico da “realidade no terreno” na Ucrânia. Essa posição, conforme Lavrov, tem sido reiterada pelo presidente Vladimir Putin.

O ministro contrastou essa abordagem com declarações do presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, que rejeita esse tipo de reconhecimento e considera regiões como Crimeia e Donbass territórios “temporariamente ocupados”. Para Lavrov, essa divergência demonstra um distanciamento em relação ao que foi discutido anteriormente entre Moscou e Washington.

Lavrov também destacou que o processo de negociação foi iniciado pelo apresidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e por Vladimir Putin, indicando que houve avanços naquele momento. No entanto, ele observou que, apesar do diálogo, o governo norte-americano mantém e até amplia sanções impostas anteriormente, durante a gestão do ex-presidente Joe Biden.

Ainda assim, o chanceler russo avaliou que as relações entre Moscou e Washington não estão tão deterioradas quanto no período anterior, quando, segundo ele, o contato bilateral estava praticamente paralisado.

Outro ponto levantado por Lavrov foi a atuação de países europeus. Ele afirmou que decisões tomadas na cúpula do Alasca estariam sendo dificultadas por lideranças em cidades como Bruxelas, Paris, Berlim e Londres. Nesse contexto, mencionou propostas da França e do Reino Unido para o envio de “contingentes de estabilização” à Ucrânia.

Segundo o ministro, iniciativas defendidas pelo presidente francês, Emmanuel Macron, e pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, dependeriam de apoio tecnológico dos Estados Unidos, o que, na avaliação de Moscou, limita a capacidade de implementação dessas ações de forma independente.

Lavrov acrescentou que a Rússia permanece aberta ao diálogo com outros países, citando inclusive a Hungria, onde, segundo ele, um novo primeiro-ministro, Peter Magyar, foi recentemente eleito. Ele reforçou que Moscou não evita negociações e que Vladimir Putin tem demonstrado disposição constante para o diálogo internacional.

Por fim, o chanceler destacou que conversas diplomáticas tendem a ser mais produtivas quando os interlocutores atuam com base nos interesses nacionais de seus próprios países, indicando que esse seria um fator central para o avanço de qualquer negociação futura.

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