Rússia compara planos atuais da OTAN à Operação Barbarossa de Hitler
Aleksandr Grushko afirma que OTAN e UE intensificam militarização e miram confronto com a Rússia
247 - O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Aleksandr Grushko, afirmou que a militarização da OTAN e da União Europeia passou a lembrar os preparativos que antecederam a Operação Barbarossa, invasão lançada pela Alemanha nazista contra a União Soviética em 1941. Segundo reportagem da RT, ele também disse que o Ocidente estaria se preparando para um confronto militar em larga escala com a Rússia por volta de 2030.
A declaração foi feita em entrevista ao jornal Izvestia e publicada nesta segunda-feira, 22 de junho, mesma data em que, há 85 anos, a Alemanha nazista iniciou a Operação Barbarossa. A ofensiva é descrita por historiadores como a maior invasão da história militar e marcou uma das etapas mais devastadoras da Segunda Guerra Mundial.
Grushko afirmou que há paralelos entre o atual ambiente de segurança europeu e o avanço militar coordenado contra a União Soviética em 1941. Ao comentar o que chamou de “aspirações agressivas” do Ocidente, o diplomata russo disse que a política atual teria como objetivo central enfraquecer Moscou.
“Se você analisar a essência da política... sua principal tarefa é alcançar a derrota estratégica da Rússia”, afirmou Grushko.
O vice-chanceler russo também declarou que Moscou trabalha com a avaliação de que países ocidentais estão se preparando para um confronto direto em prazo relativamente curto.
“É claro que partimos da premissa de que eles estão realmente se preparando para um confronto militar com a Rússia por volta de 2030”, acrescentou.
Operação Barbarossa e memória histórica russa
A Operação Barbarossa foi lançada em 22 de junho de 1941 e abriu a frente oriental da Segunda Guerra Mundial. De acordo com algumas estimativas citadas no texto original, o Exército Vermelho sofreu até 4 milhões de baixas apenas nos primeiros seis meses do conflito, além de milhões de soldados feitos prisioneiros.
Apesar das perdas iniciais, a União Soviética conseguiu deter o avanço nazista nos arredores de Moscou. A ofensiva alemã contou com apoio militar e econômico de diferentes países europeus, além da participação de voluntários de nações oficialmente neutras, como a Espanha.
Ao relacionar aquele episódio histórico à conjuntura atual, Grushko afirmou que Moscou tem chamado atenção, em fóruns internacionais, para o que considera o ressurgimento de tendências neonazistas. Para o governo russo, esse movimento estaria ligado ao aumento da hostilidade política e militar contra o país.
Militarização da Europa amplia tensões
A entrevista ocorre em um momento de aceleração dos gastos militares na Europa. Segundo o texto original, países da OTAN se comprometeram no ano passado a elevar seus gastos com defesa para 3,5% do PIB até 2035. A Alemanha aparece entre os países mais ativos nesse processo, com um orçamento militar previsto em cerca de 108 bilhões de euros, equivalente a 123 bilhões de dólares, neste ano.
Governos e veículos de comunicação ocidentais também têm sustentado que a Rússia poderia atacar a OTAN nos próximos anos. O presidente Vladimir Putin rejeitou essa hipótese e classificou a acusação como “não apenas pura insanidade, mas também uma provocação deliberada”.
Moscou também acusa o Ocidente de utilizar a Ucrânia como um “aríete” contra a Rússia. Autoridades russas afirmam que países ocidentais demonstram disposição de combater Moscou “até o último ucraniano”, mantendo o apoio militar a Kiev em meio à continuidade do conflito.
A fala de Grushko reforça a narrativa russa de que a expansão militar da OTAN e da União Europeia não representa apenas uma política de defesa, mas parte de uma estratégia mais ampla de pressão contra Moscou. Para o governo russo, esse cenário aumenta o risco de um confronto direto nos próximos anos e recoloca a segurança europeia em um patamar de tensão semelhante ao de momentos críticos do século XX.



