Rússia diz não ter recebido sinal de Kiev para novas negociações
Vice-chanceler Mikhail Galuzin afirma que a Ucrânia não se manifestou sobre entendimentos para avançar rumo a uma solução para o conflito
247 - A Rússia afirmou que ainda não recebeu de Kiev qualquer sinal de disposição para uma nova rodada de negociações voltada à resolução do conflito na Ucrânia, de acordo com declarações do vice-ministro das Relações Exteriores russo, Mikhail Galuzin.
Em entrevista ao jornal Izvestia, Galuzin afirmou que Moscou não vê, até o momento, indicação de que o governo ucraniano esteja disposto a avançar de forma concreta em uma saída negociada.
“Não recebemos nenhum sinal de Kiev sobre sua disposição em fazer progressos significativos na resolução do conflito”, disse o diplomata russo.
Condições apontadas por Moscou
Ao comentar as condições que, na avaliação de Moscou, seriam necessárias para negociações bem-sucedidas, Galuzin afirmou que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, precisaria ordenar a interrupção das ações militares e a retirada de tropas de áreas mencionadas pela Rússia.
“[Vladimir] Zelensky precisará ordenar que as forças armadas ucranianas cessem o fogo e retirem as tropas de Donbass e das regiões russas”, declarou Galuzin.
De acordo com o vice-chanceler russo, apenas depois dessas medidas seria possível discutir parâmetros concretos para um acordo de paz.
“Só então será possível negociar parâmetros específicos para uma paz verdadeiramente abrangente, justa e duradoura”, afirmou.
Diplomata russo fala em negociação difícil
Galuzin reconheceu que uma eventual retomada das conversas não seria simples, mas afirmou que Moscou estaria preparada para esse processo.
“Será um processo de negociação desafiador, mas estamos preparados para ele”, acrescentou o diplomata.
A declaração ocorre em meio à ausência, segundo Moscou, de uma sinalização formal de Kiev sobre a disposição para uma nova etapa de diálogo. O posicionamento russo indica que, para o governo de Moscou, qualquer avanço dependeria de mudanças prévias no terreno militar.
Pauta humanitária segue em discussão
Apesar do impasse político e diplomático sobre uma nova rodada de negociações, Galuzin afirmou que há trabalhos ativos em andamento na área humanitária.
Segundo o vice-ministro, essas iniciativas envolvem a troca de prisioneiros de guerra, a repatriação de civis e a reunificação de famílias. Ele destacou, em especial, os casos envolvendo crianças e seus pais.
O diplomata não apresentou, nas declarações fornecidas, detalhes sobre prazos ou formatos para uma eventual nova rodada de conversas, limitando-se a afirmar que Moscou ainda não recebeu de Kiev sinais de disposição para avançar em uma solução negociada.



