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Lavrov acusa EUA de tentar controlar rotas globais de energia e impor novo colonialismo

Chanceler russo afirma que Washington busca dominar gasodutos, petróleo e gás para ditar preços e pressionar países

Lavrov acusa EUA de tentar controlar rotas globais de energia e impor novo colonialismo (Foto: Brasil 247)
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247 – O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, acusou os Estados Unidos de tentarem assumir o controle de rotas estratégicas de energia, incluindo gasodutos entre Rússia e Europa, para dominar fluxos globais de petróleo e gás.

As declarações foram feitas em entrevista ao canal RT India e reunidas pela agência TASS. Segundo Lavrov, o Ocidente usa métodos “coloniais ou neocoloniais” ao tentar impedir países de comprar energia russa.

Pressão ocidental sobre petróleo e gás russos

Lavrov afirmou que a tentativa de pressionar países a abandonar petróleo e gás russos tem como objetivo obrigá-los a comprar energia mais cara dos Estados Unidos.

"Pressionar todos para não comprar petróleo russo é uma tática suja. Você pode descrevê-la de diferentes maneiras — colonial ou neocolonial —, mas são métodos de exploração", disse.

Segundo o chanceler russo, o objetivo é forçar países a comprar "petróleo e gás natural liquefeito caros dos EUA, em vez de petróleo russo barato".

"Dessa forma, eles buscam governar o mundo por meio do controle dos suprimentos globais de energia", afirmou.

Lavrov citou a Índia como exemplo de país que resiste à pressão ocidental. "A Índia afirmou firme e repetidamente que decidirá de forma independente de quem e em que volumes comprará sua energia", declarou.

Ele também garantiu que Moscou continuará cumprindo seus compromissos com Nova Délhi.

"Posso garantir que os interesses da Índia em relação aos fornecimentos russos não serão prejudicados. Faremos tudo para garantir que essa concorrência injusta e desonesta não danifique nossos acordos", afirmou.

EUA querem controlar gasodutos, diz Lavrov

Lavrov acusou Washington de buscar controlar infraestruturas energéticas estratégicas ligadas à Rússia.

"Eles [os americanos] também querem — e têm falado abertamente sobre isso — assumir o controle do gasoduto de trânsito que vai da Rússia à Europa através da Ucrânia, para controlar também esses fluxos", disse.

O chanceler também afirmou que os Estados Unidos pretendem restaurar os gasodutos Nord Stream, danificados por explosões, e comprar a participação anteriormente detida por empresas europeias.

"Os americanos querem comprar a parte anteriormente pertencente a empresas europeias. Querem adquiri-la por cerca de um décimo do que os europeus pagaram por ela", afirmou.

Para Lavrov, o objetivo de Washington é claro: "colocar sob seu controle todas as rotas significativas de fornecimento de energia".

Eurásia e disputa geopolítica

Lavrov defendeu que Rússia, Índia e China têm papel especial na construção de uma nova arquitetura de diálogo na Eurásia.

"Países com grandes histórias, grandes civilizações que sobreviveram até hoje e continuam a evoluir devem, em algum momento, reconhecer sua responsabilidade e levar o eurasianismo de seu passado colonial ou neocolonial a uma etapa de parceria, compreensão mútua e superação das diferenças de status", afirmou.

Segundo ele, a Europa permanece presa a uma mentalidade colonial e tenta impor suas regras a todos, inclusive na Eurásia.

Lavrov também criticou a expansão da atuação da Otan em temas asiáticos, como Mar do Sul da China, Estreito de Taiwan, Sudeste Asiático e Nordeste Asiático.

Crise no Estreito de Hormuz e Irã

O chanceler russo também comentou a crise no Estreito de Hormuz. Segundo ele, os Estados Unidos passaram a exigir sua reabertura, embora a passagem não estivesse fechada antes da interferência de Washington.

"Até 28 de fevereiro de 2026, o Estreito de Hormuz estava aberto ao tráfego, e o mundo inteiro usava essa hidrovia, responsável por levar um quinto de toda a energia aos mercados globais", afirmou.

Lavrov disse ainda que a Europa provavelmente será a mais afetada pela crise e alertou que, se o conflito envolvendo o Irã se prolongar, a economia global poderá levar ainda mais tempo para se recuperar.

Palestina segue como crise central, afirma chanceler russo

Lavrov afirmou que crises em diferentes regiões desviam a atenção internacional da questão palestina.

"Todas essas questões estão nos afastando da resolução da crise mais prolongada e mais negativa do mundo — a crise em torno da Palestina", disse.

Ele também afirmou que, sem a criação de um Estado palestino, o Oriente Médio continuará sendo um foco de extremismo por décadas.

"Não tenho dúvida de que, sem um Estado palestino, perpetuaremos um foco de extremismo por décadas — algo que prejudicará todos, incluindo Israel e seus vizinhos árabes", declarou.

Relações entre Rússia e Índia

Ao tratar da parceria com Nova Délhi, Lavrov afirmou que Moscou mantém relação de confiança profunda com a Índia, especialmente na área de defesa.

"A capacidade de defesa da Índia é uma área de nossas relações na qual praticamente não temos segredos para nossos amigos indianos", afirmou.

Ele concluiu dizendo que a relação russo-indiana se baseia na amizade.

"Uma situação em que nossos caminhos divergem simplesmente não existe — é impensável. Começamos nossa conversa com o próprio fundamento das relações russo-indianas: a amizade", disse.

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