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Rússia diz que Finlândia escala tensões ao rever veto a armas nucleares

Kremlin afirma que possível mudança na lei finlandesa aumenta tensões na Europa e pode levar Moscou a adotar “medidas apropriadas”

Dmitry Peskov (Foto: Sputnik / Mikhail Metzel / Kremlin via Reuters)

247 - A Rússia acusou a Finlândia de contribuir para uma escalada de tensões no continente europeu após o governo finlandês anunciar planos para revisar uma proibição histórica relacionada à presença de armas nucleares em seu território. A proposta poderia abrir caminho para que o país volte a receber armamentos nucleares em caso de guerra, como parte da estratégia de defesa dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Moscou considera que a eventual mudança na legislação representa uma ameaça direta à segurança russa. Durante coletiva de imprensa, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a iniciativa de Helsinque eleva o nível de confrontação na região e pode provocar respostas de Moscou. “Esta é uma declaração que leva a uma escalada de tensões no continente europeu. (...) A fala aumenta a vulnerabilidade da Finlândia, uma vulnerabilidade provocada pelas ações das autoridades finlandesas. O fato é que, ao implantar armas nucleares em seu território, a Finlândia começa a nos ameaçar. E se a Finlândia nos ameaça, tomamos medidas apropriadas”, declarou.

A Finlândia compartilha com a Rússia uma extensa fronteira terrestre de cerca de 1.340 quilômetros. Durante a Guerra Fria, o país manteve posição de neutralidade em relação aos blocos militares. Essa postura começou a mudar após a invasão russa da Ucrânia, em 2022, levando Helsinque a aderir oficialmente à Otan no ano seguinte.

Finlândia avalia mudança em lei nuclear

O governo finlandês anunciou que pretende suspender a proibição histórica que impede a presença de armas nucleares no país. A alteração legal permitiria que a Finlândia, integrante da Otan, participe de forma mais ampla das estratégias de dissuasão da aliança militar.

O ministro da Defesa da Finlândia, Antti Hakkanen, explicou a motivação da proposta durante uma entrevista coletiva. “A emenda é necessária para permitir a defesa militar da Finlândia como parte da aliança e para aproveitar plenamente a dissuasão e a defesa coletiva da Otan”, afirmou.

A atual Lei de Energia Nuclear da Finlândia, aprovada em 1987, proíbe a importação, fabricação, posse e detonação de explosivos nucleares no território do país. Para alguns setores políticos finlandeses, essa restrição poderia beneficiar a Rússia em caso de conflito militar.

Caso avance, a mudança alinhará a política finlandesa à de outros países nórdicos. Suécia, Dinamarca e Noruega mantêm políticas que vetam armas nucleares em tempos de paz, mas não possuem barreiras legais que impeçam sua presença em caso de guerra.

Cenário internacional aumenta debate sobre armas nucleares

O debate ocorre em meio a um cenário internacional de crescente tensão militar e incertezas sobre o futuro dos acordos de controle de armamentos. O último tratado de limitação nuclear entre Estados Unidos e Rússia, o New START, expirou no início de fevereiro, aumentando preocupações sobre a estabilidade estratégica global.

Governos europeus também vêm reavaliando suas políticas de segurança diante de fatores geopolíticos recentes. Entre eles estão a guerra na Ucrânia e declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incluindo a intenção declarada de anexar a Groenlândia.

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