Rússia e China ampliam cooperação militar em meio a cenário global instável
A posição chinesa confirma o alinhamento estratégico entre os dois países, que têm ampliado exercícios militares conjuntos
247 – Rússia e China deram mais um passo no fortalecimento de sua parceria estratégica ao realizarem, nesta sexta-feira (24), uma reunião de alto nível entre seus ministros da Defesa, em Moscou. Segundo informações divulgadas pela RT, o encontro reuniu o russo Andrey Belousov e o chinês Dong Jun, que discutiram o aprofundamento da cooperação bilateral e os próximos movimentos conjuntos no campo militar.
A reunião ocorre em um contexto de crescente reorganização geopolítica global, no qual Moscou e Pequim vêm consolidando uma aliança que desafia a hegemonia ocidental e reforça a emergência de uma ordem multipolar.
Parceria estratégica ganha novo impulso
Durante o encontro, Belousov destacou a importância do diálogo direto entre os líderes dos dois países, Vladimir Putin e Xi Jinping, como elemento central para o avanço das relações bilaterais. Segundo ele, o contato constante entre os presidentes tem sido decisivo para alinhar posições e fortalecer a cooperação.
"Este ano celebramos o 30º aniversário do estabelecimento da parceria estratégica e da cooperação entre a Rússia e a China, bem como o 25º aniversário do nosso tratado fundamental de boa vizinhança, amizade e cooperação", afirmou o ministro russo.
A declaração evidencia a longevidade e a consistência da relação entre Moscou e Pequim, que, ao longo das últimas décadas, evoluiu de uma cooperação pragmática para uma parceria estratégica de alcance global.
Cooperação militar como eixo central
Belousov também enfatizou que, diante de um cenário internacional marcado por tensões e disputas geopolíticas, a cooperação militar entre Rússia e China assume papel ainda mais relevante.
"A cooperação militar bilateral, diante de uma conjuntura político-militar em constante mudança, adquire uma relevância especial. É um dos elementos-chave da segurança regional e global", declarou, conforme citado pela imprensa russa.
A fala reforça a visão compartilhada pelos dois países de que a articulação militar conjunta é essencial para equilibrar forças no sistema internacional e conter pressões externas, especialmente vindas de alianças lideradas pelos Estados Unidos.
China sinaliza ampliação da parceria
O ministro da Defesa chinês, Dong Jun, também manifestou disposição para aprofundar ainda mais os laços com a Rússia. Segundo ele, Pequim pretende aproveitar todas as oportunidades para expandir uma cooperação que considera mutuamente benéfica.
A posição chinesa confirma o alinhamento estratégico entre os dois países, que têm ampliado exercícios militares conjuntos, cooperação tecnológica e intercâmbio no setor de defesa.
Simbolismo e memória histórica
A visita da delegação chinesa a Moscou também teve forte carga simbólica. Antes das negociações, Dong Jun participou de uma cerimônia oficial com guarda de honra organizada pelo Ministério da Defesa da Rússia.
Além disso, o almirante chinês e sua comitiva depositaram flores no Túmulo do Soldado Desconhecido, no Jardim de Alexandre, e observaram um minuto de silêncio em homenagem aos mortos na Segunda Guerra Mundial — gesto que reforça a memória histórica compartilhada e a narrativa de resistência comum contra o fascismo.
Aliança estratégica e nova ordem global
O aprofundamento dos laços militares entre Rússia e China ocorre em um momento de transformação do sistema internacional, marcado pela crise do unilateralismo e pelo fortalecimento de blocos como os BRICS.
A cooperação entre Moscou e Pequim, especialmente na área de defesa, sinaliza não apenas uma convergência de interesses, mas também a construção de um eixo geopolítico capaz de influenciar decisivamente os rumos da segurança global nas próximas décadas.


