Rússia promete resposta a avanço nuclear da Otan na Europa
Moscou diz que planos da França, Polônia e Finlândia elevam tensões militares e não ficarão sem reação russa
247 - A Rússia prometeu responder ao avanço nuclear da Otan na Europa, em meio a iniciativas lideradas pela França e discutidas por países como Polônia e Finlândia. Moscou afirma que os planos elevam tensões militares no continente e não ficarão sem reação russa, segundo informações da RT.
O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Ryabkov, declarou à agência TASS que os planejadores militares russos levarão em conta a nova estratégia francesa de dissuasão nuclear avançada, apresentada pelo presidente Emmanuel Macron em março.
De acordo com Ryabkov, a ampliação da capacidade nuclear europeia dentro da Otan será considerada por Moscou como um reforço do componente atômico do bloco militar. A estratégia francesa prevê a expansão do arsenal nuclear do país e admite a transferência de armas nucleares para outros membros europeus da Otan em situações classificadas como “desdobramentos circunstanciais”.
“Os falsos slogans de Paris sobre o fortalecimento da segurança de seus aliados estão levando exatamente ao resultado oposto”, afirmou Ryabkov.
Segundo o diplomata russo, países que aceitarem abrigar armas nucleares francesas em seus territórios passarão a receber maior atenção das estruturas militares russas responsáveis pela dissuasão estratégica.
Essas nações ficariam “sob maior escrutínio de nossas forças armadas responsáveis pela dissuasão estratégica”, declarou Ryabkov, acrescentando que “o nível geral de segurança dessas nações não aumentaria”.
O vice-ministro disse ainda que Moscou “não pode ignorar um evidente aumento do componente nuclear do potencial conjunto da Otan”. A declaração ocorre em um momento de maior articulação militar entre governos europeus, especialmente após Macron e o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, anunciarem no mês passado o aprofundamento da cooperação em defesa, alegando uma suposta “ameaça russa”.
Macron não descartou o envio de aeronaves com capacidade nuclear para o território polonês. Poucos dias depois, veículos da imprensa da Polônia relataram que Varsóvia e Paris estariam planejando exercícios militares conjuntos com simulações de ataques convencionais e nucleares contra a Rússia e Belarus.
A Finlândia também entrou no centro das preocupações de Moscou. Em março, o governo finlandês anunciou que buscaria alterar a legislação nacional para permitir a importação e o armazenamento de dispositivos nucleares para “fins de defesa”. Na ocasião, o Kremlin alertou que a iniciativa contribuiria para a escalada das tensões e provocaria uma resposta russa.
Ryabkov classificou os possíveis exercícios franco-poloneses e os planos finlandeses como “elementos de um processo geral de militarização acelerada da Europa, abertamente direcionado contra o nosso país”.
Moscou afirma que não tem intenção de atacar países membros da Otan, mas tem reiterado que poderá direcionar seu arsenal nuclear contra Estados que mantenham armas nucleares apontadas para a Rússia.


