Secretário de Guerra dos EUA defende orçamento militar recorde de 1,5 trilhão de dólares
Pete Hegseth confronta sua opinião com realidade dos custos de guerra no Irã elevados
247 - O chefe do Pentágono, Pete Hegseth, defendeu o orçamento militar recorde dos EUA, de US$ 1,5 trilhão, em meio a uma nova rodada de questionamentos de parlamentares sobre os custos e os rumos da guerra contra o Irã, em uma audiência que expôs a pressão crescente sobre a administração Trump.
Segundo a Al Jazeera, Hegseth compareceu ao Congresso para tratar do orçamento do Pentágono no contexto da guerra dos EUA e Israel contra o Irã, enquanto legisladores cobravam explicações sobre a escalada de gastos e a ausência de maior detalhamento público sobre a operação. A audiência ocorreu no momento em que a Casa Branca busca aprovar uma proposta sem precedentes para o ano fiscal de 2027.
A proposta apresentada pelo governo Trump prevê US$ 1,5 trilhão para a área militar, o maior pedido orçamentário do tipo já feito pelos Estados Unidos, de acordo com material divulgado pelo próprio Departamento de Guerra. O plano inclui investimentos em modernização, compra de equipamentos, expansão da base industrial de defesa, aumento salarial para militares e melhorias em instalações e moradias das Forças Armadas.
O Departamento de Guerra afirma que cerca de 52% do valor total seria destinado à compra de munições, aviões, tanques, navios e outros equipamentos militares. Autoridades também apontam recursos para capacidades de drones, programas espaciais, construção naval, defesa antimísseis e modernização da tríade nuclear.
Em defesa da proposta, Hegseth disse que o orçamento busca ampliar a “dominância militar americana” e sustentar a estratégia de “paz pela força”. Em declaração divulgada pelo governo, ele afirmou que administrações anteriores teriam subvalorizado o investimento nas Forças Armadas enquanto adversários se tornavam “mais fortes e perigosos”.
A pressão no Congresso, porém, cresceu com a guerra contra o Irã. Segundo a Associated Press, em texto publicado pela PBS, Hegseth participou de audiências de várias horas pela primeira vez desde o início do conflito, enfrentando questionamentos de democratas e também de alguns republicanos sobre estratégia, autorização legislativa e custos.
A estimativa de gastos também subiu. Reportagem mais recente da AP, reproduzida pela Local10, informou que senadores dos dois partidos cobraram Hegseth sobre o objetivo final da guerra e seus custos crescentes, enquanto o secretário defendia o pedido de US$ 1,5 trilhão. A mesma cobertura apontou que o custo do conflito já era tratado em Washington como próximo de US$ 29 bilhões.
O avanço dos gastos colocou em debate a transparência do Pentágono. O Wall Street Journal informou que autoridades estimaram em cerca de US$ 24 bilhões os custos ligados a munições usadas e aeronaves danificadas ou destruídas, parcela considerada central no cálculo total da guerra, agora projetado em cerca de US$ 29 bilhões.
A audiência também abriu uma disputa sobre estoques de munições, reposição de equipamentos e sustentação de operações no Oriente Médio. Hegseth rejeitou a ideia de que os EUA estejam fragilizados nesse campo e apresentou o orçamento como uma resposta à necessidade de recompor capacidades militares e ampliar a produção industrial de defesa.
Outro ponto de tensão é o papel do Congresso na condução da guerra. A ABC News informou que os cálculos do orçamento de 2027 foram finalizados meses antes dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã em fevereiro, e que a proposta não incorporava originalmente os gastos do conflito. A mesma cobertura registrou críticas de parlamentares sobre a condução da operação sem autorização legislativa específica.
No plano político, o orçamento recorde tornou-se um símbolo da estratégia de Trump para expandir o aparato militar americano em meio à guerra. Para seus defensores, a proposta busca fortalecer a prontidão das Forças Armadas, acelerar a produção de armas e garantir vantagem tecnológica. Para críticos no Congresso, o pedido bilionário reforça dúvidas sobre fiscalização, prioridades fiscais e limites da ação militar dos EUA no exterior.
A disputa deve continuar nas próximas etapas da tramitação orçamentária, especialmente porque os custos da guerra contra o Irã seguem sujeitos a revisão e dependem da duração do conflito, da reposição de equipamentos e da manutenção da presença militar americana no Oriente Médio.



