HOME > Mundo

Secretário de Guerra dos EUA defende orçamento militar recorde de 1,5 trilhão de dólares

Pete Hegseth confronta sua opinião com realidade dos custos de guerra no Irã elevados

Pete Hegseth no Pentágono 2/3/2026 REUTERS/Elizabeth Frantz (Foto: REUTERS/Elizabeth Frantz)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - O chefe do Pentágono, Pete Hegseth, defendeu o orçamento militar recorde dos EUA, de US$ 1,5 trilhão, em meio a uma nova rodada de questionamentos de parlamentares sobre os custos e os rumos da guerra contra o Irã, em uma audiência que expôs a pressão crescente sobre a administração Trump.

Segundo a Al Jazeera, Hegseth compareceu ao Congresso para tratar do orçamento do Pentágono no contexto da guerra dos EUA e Israel contra o Irã, enquanto legisladores cobravam explicações sobre a escalada de gastos e a ausência de maior detalhamento público sobre a operação. A audiência ocorreu no momento em que a Casa Branca busca aprovar uma proposta sem precedentes para o ano fiscal de 2027.

A proposta apresentada pelo governo Trump prevê US$ 1,5 trilhão para a área militar, o maior pedido orçamentário do tipo já feito pelos Estados Unidos, de acordo com material divulgado pelo próprio Departamento de Guerra. O plano inclui investimentos em modernização, compra de equipamentos, expansão da base industrial de defesa, aumento salarial para militares e melhorias em instalações e moradias das Forças Armadas.

O Departamento de Guerra afirma que cerca de 52% do valor total seria destinado à compra de munições, aviões, tanques, navios e outros equipamentos militares. Autoridades também apontam recursos para capacidades de drones, programas espaciais, construção naval, defesa antimísseis e modernização da tríade nuclear.

Em defesa da proposta, Hegseth disse que o orçamento busca ampliar a “dominância militar americana” e sustentar a estratégia de “paz pela força”. Em declaração divulgada pelo governo, ele afirmou que administrações anteriores teriam subvalorizado o investimento nas Forças Armadas enquanto adversários se tornavam “mais fortes e perigosos”.

A pressão no Congresso, porém, cresceu com a guerra contra o Irã. Segundo a Associated Press, em texto publicado pela PBS, Hegseth participou de audiências de várias horas pela primeira vez desde o início do conflito, enfrentando questionamentos de democratas e também de alguns republicanos sobre estratégia, autorização legislativa e custos.

A estimativa de gastos também subiu. Reportagem mais recente da AP, reproduzida pela Local10, informou que senadores dos dois partidos cobraram Hegseth sobre o objetivo final da guerra e seus custos crescentes, enquanto o secretário defendia o pedido de US$ 1,5 trilhão. A mesma cobertura apontou que o custo do conflito já era tratado em Washington como próximo de US$ 29 bilhões.

O avanço dos gastos colocou em debate a transparência do Pentágono. O Wall Street Journal informou que autoridades estimaram em cerca de US$ 24 bilhões os custos ligados a munições usadas e aeronaves danificadas ou destruídas, parcela considerada central no cálculo total da guerra, agora projetado em cerca de US$ 29 bilhões.

A audiência também abriu uma disputa sobre estoques de munições, reposição de equipamentos e sustentação de operações no Oriente Médio. Hegseth rejeitou a ideia de que os EUA estejam fragilizados nesse campo e apresentou o orçamento como uma resposta à necessidade de recompor capacidades militares e ampliar a produção industrial de defesa.

Outro ponto de tensão é o papel do Congresso na condução da guerra. A ABC News informou que os cálculos do orçamento de 2027 foram finalizados meses antes dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã em fevereiro, e que a proposta não incorporava originalmente os gastos do conflito. A mesma cobertura registrou críticas de parlamentares sobre a condução da operação sem autorização legislativa específica.

No plano político, o orçamento recorde tornou-se um símbolo da estratégia de Trump para expandir o aparato militar americano em meio à guerra. Para seus defensores, a proposta busca fortalecer a prontidão das Forças Armadas, acelerar a produção de armas e garantir vantagem tecnológica. Para críticos no Congresso, o pedido bilionário reforça dúvidas sobre fiscalização, prioridades fiscais e limites da ação militar dos EUA no exterior.

A disputa deve continuar nas próximas etapas da tramitação orçamentária, especialmente porque os custos da guerra contra o Irã seguem sujeitos a revisão e dependem da duração do conflito, da reposição de equipamentos e da manutenção da presença militar americana no Oriente Médio.

Artigos Relacionados