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Somalilândia nega acordo para base militar com Israel

Israel teria concordado em reconhecer Somalilândia também em troca do reassentamento de palestinos, de acordo com a Somália

Um manifestante segura uma imagem que retrata o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, enquanto somalis participam de uma manifestação após Israel se tornar o primeiro país a reconhecer formalmente a autoproclamada República da Somalilândia como um estado independente e soberano, uma decisão que pode remodelar a dinâmica regional e testar a longa oposição da Somália à secessão, no distrito de Hodan, em Mogadíscio, Somália, 28 de dezembro de 2025 (Foto: REUTERS/Feisal Omar)

247 - O Ministério das Relações Exteriores da autoproclamada República de Somalilândia rejeitou alegações de que, em troca do reconhecimento por parte de Israel, o governo teria concordado em aceitar palestinos e permitir a instalação de bases militares.

O presidente da Somália, Hassan Sheikh Mohamud, afirmou anteriormente, em entrevista à Al Jazeera, que, segundo a inteligência somali, Israel teria concordado em reconhecer Somalilândia em troca de três condições: o reassentamento de palestinos, o estabelecimento de uma base militar no Golfo de Áden e a adesão aos Acordos de Abraão, que preveem a normalização das relações com Israel.

“O Governo da República de Somalilândia rejeita firmemente as falsas alegações feitas pelo presidente da Somália que apontam para o reassentamento de palestinos ou a instalação de bases militares em Somalilândia”, afirmou o ministério em comunicado divulgado nesta quinta-feira.

A chancelaria acrescentou que as relações de Somalilândia com Israel são de natureza exclusivamente diplomática e conduzidas de acordo com o direito internacional.

Ao mesmo tempo, a emissora estatal israelense Kan informou, citando fontes, que o presidente de Somalilândia, Abdirahman Mohamed Abdilahi, planeja visitar Israel em janeiro e anunciar a adesão do país aos Acordos de Abraão.

Segundo a reportagem, também estão previstos a assinatura de diversos acordos bilaterais adicionais em áreas como agricultura, mineração e petróleo, segurança, infraestrutura e turismo.

A visita de Abdilahi a Israel pode ocorrer já na próxima semana, informou o canal, acrescentando que o líder da república autoproclamada já teria visitado o Estado judeu de forma discreta no passado.

Em 26 de dezembro, Israel reconheceu oficialmente Somalilândia, um Estado com reconhecimento parcial que se separou da Somália na década de 1990. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e Abdilahi assinaram uma declaração conjunta de reconhecimento. Com isso, Israel tornou-se o primeiro país do mundo a reconhecer Somaliland.

A Somália deixou de existir como um Estado unificado em 1991, após a queda do ditador Siad Barre, quando Puntland e Somalilândia declararam independência. A comunidade internacional reconhece o governo federal da Somália, que controla a capital, Mogadíscio, e partes do território do país.

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