Starmer sugere que ofensiva dos EUA contra o Irã é ilegal
Primeiro-ministro britânico afirma que não enviaria tropas sem base legal e plano claro para retirada do conflito
247 - O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, indicou que a ofensiva militar conduzida pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã carece de base legal, ao justificar sua decisão de não integrar a operação militar iniciada no fim de fevereiro. Ao comentar o episódio, Starmer afirmou que não estava disposto a envolver forças britânicas em um conflito “sem um plano para nos retirar”, segundo informações divulgadas pela agência Associated Press.
A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (16) em Downing Street. No encontro com jornalistas, Starmer reiterou que decidiu não participar do ataque lançado em 28 de fevereiro, embora o Reino Unido tenha atuado posteriormente em operações de defesa após a retaliação iraniana atingir ativos militares britânicos no Oriente Médio.
A posição do premiê britânico provocou críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e também de adversários políticos dentro do Reino Unido, que classificaram sua postura como excessivamente cautelosa. Starmer, no entanto, afirmou que sua decisão seguiu princípios claros de responsabilidade e legalidade no uso da força militar. “Eu me mantive fiel aos meus princípios e acredito que o tempo mostrará que adotamos a abordagem correta”, declarou o primeiro-ministro.
Starmer destacou que a decisão de enviar tropas para um conflito armado é uma das mais graves atribuições de um chefe de governo. “Decidir se devemos comprometer tropas britânicas em ação militar é a responsabilidade mais séria de qualquer primeiro-ministro”, afirmou. “Tenho sido atacado por alguns por minha decisão de não participar da ofensiva contra o Irã".
Sem citar nomes diretamente, o premiê fez referência às críticas vindas de Nigel Farage, líder do partido de direita Reform UK e aliado político de Donald Trump. Inicialmente, Farage defendeu que o Reino Unido deveria adotar uma postura mais dura diante do Irã, afirmando que o país precisava “tirar as luvas” na condução da crise. Com o agravamento da guerra no Oriente Médio, entretanto, o político recuou e passou a afirmar que o Reino Unido não deveria se envolver “em outra guerra estrangeira”.
Ao justificar sua decisão, Starmer ressaltou que qualquer envio de militares britânicos para uma zona de conflito exige fundamentos legais claros e planejamento estratégico detalhado. “Se vamos enviar nossos homens e mulheres das forças armadas para situações de risco, o mínimo que eles merecem é saber que estão agindo com base legal e com um plano adequado e bem pensado”, disse.
O primeiro-ministro também criticou aqueles que pressionaram por uma participação imediata do Reino Unido na ofensiva contra o Irã. “Há outros que teriam tomado uma decisão diferente duas semanas atrás. Eles teriam lançado o Reino Unido de cabeça nesta guerra sem ter uma visão completa do que nossas forças enfrentariam e sem um plano para nos retirar depois. Isso não é liderar — é seguir”, afirmou.


