Teerã adverte os EUA sobre aplicação do acordo de 14 pontos
Memorando prevê fim das operações militares, reabertura de Ormuz e nova negociação nuclear
247 - O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que Teerã e Washington finalizaram e assinaram eletronicamente o memorando, abrindo caminho para negociações sobre um acordo final nos próximos 60 dias.
Baghaei advertiu que o Irã acompanhará a aplicação do memorando por Washington “sem qualquer leniência”. Ele também afirmou que Teerã não cumprirá seus compromissos caso os Estados Unidos deixem de cumprir as obrigações previstas no documento.
O representante iraniano reiterou ainda que o programa de mísseis do país não está aberto a negociações, um ponto sensível nas conversas entre Washington e Teerã.
Negociações nucleares podem passar de 60 dias
Embora o memorando estabeleça um prazo de 60 dias para a construção de um acordo final, especialistas avaliam que a negociação nuclear pode exigir mais tempo. Kenneth Katzman, pesquisador sênior do Soufan Center, disse que as conversas entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear iraniano devem se prolongar além do período estipulado.
Katzman classificou as discussões como “muito detalhadas” e “muito exaustivas”. Segundo ele, temas como enriquecimento de urânio, estoques de urânio altamente enriquecido, mecanismos de verificação e inspeções demandarão trabalho técnico aprofundado.
O caráter complexo das negociações reforça as dúvidas sobre a implementação do acordo, especialmente porque o texto provisório depende de avanços em áreas que historicamente provocaram divergências entre Washington e Teerã.
Trump enfrenta críticas de republicanos
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump passou a enfrentar críticas dentro do próprio campo republicano por causa do acordo provisório com o Irã. Entre os nomes que se manifestaram contra o memorando estão o ex-vice-presidente Mike Pence, a ex-embaixadora na ONU Nikki Haley e o senador Bill Cassidy.
Os críticos afirmam que o acordo não seria suficiente para conter as ambições nucleares de Teerã. Também há oposição ao plano de reconstrução de US$ 300 bilhões para o Irã, previsto no contexto das negociações.
Alguns republicanos compararam o entendimento firmado por Trump ao acordo nuclear de 2015, assinado durante o governo do ex-presidente Barack Obama. Durante seu primeiro mandato, Trump retirou os Estados Unidos unilateralmente daquele pacto.
Retirada israelense do Líbano pode levar meses
No Líbano, a implementação do acordo também é cercada de incertezas. Rami Khouri, pesquisador sênior da Universidade Americana de Beirute, afirmou que uma retirada completa de Israel do sul do Líbano é improvável no curto prazo.
Khouri disse à Al Jazeera que as negociações entre Estados Unidos e Irã podem levar de quatro a cinco meses até serem concluídas. Ele também avaliou que questões regionais mais amplas ainda precisarão ser tratadas para que o acordo produza efeitos concretos no terreno.
A avaliação indica que, mesmo com o memorando em vigor, a estabilização da região pode depender de uma sequência de entendimentos diplomáticos e militares.
Sul do Líbano segue sob tensão
Reportando do sul do Líbano, Zeina Khodr, da Al Jazeera, afirmou que o conflito está “longe de terminar”. Segundo ela, ataques israelenses continuam sendo registrados na região, apesar do acordo anunciado.
Khodr também relatou que muitos moradores permanecem preocupados com a possibilidade de Israel cumprir ou não o cessar-fogo. Grandes áreas do sul do Líbano seguem inacessíveis para civis após meses de combates e destruição.
Fontes de segurança ouvidas pela Al Jazeera afirmaram ainda acreditar que Israel pode tentar ampliar seu controle sobre áreas estratégicas ao longo da fronteira. O cenário mantém o Líbano como uma das frentes mais delicadas da crise, mesmo após a entrada em vigor do memorando entre Estados Unidos e Irã.



