Trump ameaça fazer novos ataques ao Irã
Trump amplia ameaças ao Irã e diz que pode manter ofensiva, enquanto Teerã responde a bombardeios e cobra reconhecimento de seus direitos
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou as ameaças ao Irã e afirmou que pode manter a ofensiva militar norte-americana, enquanto Teerã respondeu aos bombardeios contra seu território e cobrou o reconhecimento de seus direitos em qualquer negociação diplomática, as informações são da Al Jazeera.
A escalada ocorre após semanas em que Trump vinha dizendo que um acordo de paz entre Washington e Teerã estava próximo. Segundo a Al Jazeera, a mudança de tom do presidente norte-americano indica que a Casa Branca considera cada vez mais estreita a margem para uma solução negociada para a crise.
Na terça-feira, as Forças Armadas dos Estados Unidos iniciaram ataques contra alvos dentro do Irã em resposta à derrubada de um helicóptero durante a noite sobre o Estreito de Ormuz. Desde então, Trump passou a sugerir que a ofensiva pode continuar.
“Talvez eu continue”, disse Trump à Fox News na quarta-feira. “Eles tiveram a chance de fechar um acordo e sobreviver.”
Mais tarde, em um evento no Salão Oval, o presidente norte-americano voltou a adotar tom duro diante dos jornalistas. “Vamos atacá-los, atacá-los com muita força”, afirmou.
O Irã reagiu aos ataques mais recentes dos Estados Unidos com o lançamento de mísseis contra bases que abrigam tropas norte-americanas no Bahrein, no Kuwait e na Jordânia. Embora confrontos anteriores nas últimas semanas tenham sido contidos e encerrados rapidamente, as declarações de Trump aumentaram as dúvidas sobre a continuidade da atual escalada e sobre a possível ruptura do cessar-fogo de 8 de abril.
Trump disse à Fox News que o Irã estaria “envolvendo os EUA” em negociações que ainda não resultaram em um acordo de longo prazo. Ele também renovou a ameaça de bombardear usinas de energia e pontes iranianas, apesar das preocupações de que ataques contra infraestrutura civil possam configurar crime de guerra.
Questionado no Salão Oval sobre essa ameaça, Trump evitou confirmar se pretende levar adiante os ataques. “Mas eu poderia fazer isso”, disse.
O presidente norte-americano também cobrou uma conclusão rápida das negociações entre Estados Unidos e Irã. “Eles deveriam assinar o acordo”, acrescentou.
Mais cedo, em publicação na plataforma Truth Social, Trump afirmou que o Irã havia sido “completamente derrotado” e voltou a sustentar que Washington saiu vitorioso da crise. “Eles demoraram demais para negociar um acordo que teria sido ótimo para eles, e agora terão que pagar o preço”, escreveu.
Autoridades iranianas, por sua vez, afirmam que não aceitarão um acordo que deixe de reconhecer os “direitos” do país. Teerã também indicou que não teme um retorno aberto à guerra.
Apesar da afirmação de Trump de que o Irã estaria militarmente derrotado, Teerã conseguiu responder aos ataques norte-americanos e manter o bloqueio no Estreito de Ormuz, medida que provocou forte alta nos preços da energia.
Na quarta-feira, Haji Babaei, vice-presidente do Parlamento iraniano, declarou que a diplomacia só será eficaz quando as “demandas da nação iraniana” forem atendidas.
“Os Estados Unidos perderão a guerra econômica e militar”, disse Babaei, segundo a agência estatal iraniana IRNA.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, também afirmou que o país precisa superar o atual estado de “nem guerra, nem paz” na região. Ao mesmo tempo, ressaltou que Teerã “não cederá” diante de ameaças externas.
“A guerra certamente não é do interesse do país, mas se eles tentarem violar nossa dignidade, nossa terra e nosso território, não nos renderemos”, afirmou Pezeshkian, de acordo com a IRNA.
Mesmo com o endurecimento da retórica contra o Irã, Trump enfrenta críticas internas pela condução da guerra. O senador democrata Chris Murphy afirmou, na plataforma X, que o presidente perdeu o controle do conflito.
“Este é o seu lembrete diário de que o Presidente perdeu o controle total da Guerra com o Irã e, portanto, perdeu o interesse”, escreveu Murphy.
“Agora ele só se preocupa com seu salão de baile e planeja lucrar com a presidência enquanto os preços da gasolina e dos alimentos disparam”, acrescentou o senador.
Críticos observam que Trump também precisa lidar com uma agenda doméstica intensa, o que poderia pesar contra uma retomada total da guerra com o Irã. Os Estados Unidos vão sediar em conjunto a Copa do Mundo da FIFA nas próximas cinco semanas, enquanto o país se prepara para as celebrações dos 250 anos de sua independência e para a campanha das eleições de meio de mandato de novembro.



