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Pete Hegseth defende novos ataques dos EUA ao Irã

Secretário de Defesa afirma que ofensiva mira instalações importantes do Irã e diz que Washington pode “negociar com bombas”

Pete Hegseth no Pentágono 2/3/2026 REUTERS/Elizabeth Frantz (Foto: REUTERS/Elizabeth Frantz)
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247 - O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, defendeu uma nova rodada de ataques dos EUA ao Irã contra “instalações importantes” do país e afirmou que Washington pode “negociar com bombas” em meio à tentativa de pressionar Teerã por um acordo permanente de cessar-fogo, as informações são da Al Jazeera.

As declarações foram feitas na quarta-feira, em Tampa, na Flórida, quando Hegseth deixou a sede do Comando Central dos EUA, o CENTCOM, responsável por operações militares no Oriente Médio e em partes da Ásia. O posicionamento acompanha o endurecimento do discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia afirmado que o Irã “teria que pagar o preço” por prolongar as negociações.

“O CENTCOM — Comando Central — estará bastante ocupado esta noite porque o presidente Trump disse que vamos atacar o Irã com força, e vamos mesmo”, declarou Hegseth a repórteres.

Segundo o secretário de Defesa, os planos para a ofensiva de quarta-feira à noite haviam sido revisados com o almirante Bradley Cooper, comandante do CENTCOM. Hegseth afirmou que os ataques seriam intensos e poderiam se repetir.

“Os ataques que ocorrerão esta noite serão fortes. Serão claros”, disse. “Se tiverem de acontecer amanhã à noite, serão fortes e claros.”

Pouco depois das falas de Hegseth, o CENTCOM publicou nas redes sociais que realizaria “ataques adicionais de autodefesa” às 17h15 no horário da costa leste dos Estados Unidos, 21h no horário GMT. O comunicado afirmou que as ações seriam “uma resposta à agressão injustificada e contínua do Irã”.

A agência iraniana IRNA informou, minutos depois, que explosões foram registradas em Bandar Abbas, Qeshm, Gorgan e Hengam. Sistemas de defesa aérea também teriam sido acionados na região de Fars.

A ofensiva anunciada por Hegseth marcou o segundo dia consecutivo de ataques dos Estados Unidos contra o Irã e rompeu a trégua frágil firmada em 8 de abril. De acordo com o relato publicado, Washington está em guerra com Teerã desde 28 de fevereiro, quando o governo Trump se juntou a Israel em um ataque contra o país.

Estados Unidos e Israel sustentam que a ofensiva seria necessária para impedir que o Irã obtivesse uma arma nuclear. Teerã, no entanto, nega há anos que tenha esse objetivo.

Desde o início do conflito, o governo Trump apresentou justificativas variadas para a guerra. Em determinado momento, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Washington havia agido “preventivamente” porque “sabia que haveria uma ação israelense” e buscava evitar uma retaliação. Rubio depois recuou dessas declarações.

Na quarta-feira, Hegseth atribuiu os novos ataques à irritação de Washington com a postura iraniana nas negociações. O secretário usou uma metáfora para acusar Teerã de protelar um acordo.

“Como disse o presidente Trump, eles têm ficado no ‘tap-tap-tap’. Dá para ver quando alguém está tentando fazer ‘tap-tap-tap’ em um acordo”, afirmou. “Em vez disso, eles terão ‘tap, tap, tap’ de bombas caindo sobre instalações importantes no Irã, vindas dos Estados Unidos da América.”

Desde o anúncio do cessar-fogo temporário, em 8 de abril, os combates mais intensos entre EUA e Irã haviam sido interrompidos. A escalada desta semana começou depois que um helicóptero AH-64 Apache foi derrubado perto do Estreito de Hormuz durante a noite de segunda-feira.

Trump atribuiu ao Irã, na terça-feira, a responsabilidade pela queda da aeronave. Embora nenhum militar dos EUA tenha ficado ferido, o presidente afirmou que Washington “deve, por necessidade, responder a esse ataque”.

Ao anunciar uma segunda rodada de bombardeios, Hegseth negou que os Estados Unidos buscassem retomar uma guerra em larga escala. Segundo ele, a ofensiva teria como objetivo destravar as negociações com o Irã, uma justificativa que acrescenta nova camada à explicação do governo Trump para a retomada dos ataques.

“Isso não acontece porque queremos reiniciar algo que não precisamos reiniciar”, disse Hegseth sobre a ofensiva de quarta-feira à noite. “É porque o Departamento de Guerra está preparado para estabelecer os termos para garantir que obtenhamos o tipo de acordo que o presidente Trump espera.”

As negociações entre Washington e Teerã esbarram em temas centrais, como o futuro do programa nuclear iraniano e a possibilidade de alívio nas sanções impostas ao país.

Trump tem ameaçado repetidamente atacar pontes e infraestrutura energética do Irã. Em uma das declarações, afirmou que “uma civilização inteira morrerá” como resultado de ataques dos Estados Unidos. As falas provocaram preocupação entre defensores de direitos humanos, já que o ataque deliberado a infraestrutura civil pode ser considerado crime de guerra.

“Você acabou de mencionar que planeja atingi-los e atacá-los com força esta noite”, perguntou um jornalista. “Se a resposta incluir atingir pontes, infraestrutura elétrica, como isso não seria um crime de guerra, potencialmente mirando infraestrutura civil?”

Hegseth rejeitou a pergunta, classificando-a como “desonesta”, e acusou o repórter de “questionar os motivos” das Forças Armadas dos Estados Unidos. O secretário, porém, não descartou que infraestrutura civil pudesse ser atingida nos ataques de quarta-feira.

O Irã sinalizou que não pretende recuar. Desde a primeira leva de ataques dos EUA nesta semana, Teerã respondeu com ofensivas contra bases norte-americanas no Kuwait, na Jordânia e no Bahrein.

Analistas políticos apontaram as declarações de Hegseth em Tampa como sinal de retorno à chamada “diplomacia das canhoneiras”, expressão usada para descrever o uso da força militar como instrumento de pressão para alcançar objetivos políticos.

“Se precisarmos negociar com bombas, negociaremos com bombas”, disse Hegseth.

O correspondente da Al Jazeera Alan Fisher afirmou que a declaração representou uma mudança de postura do governo Trump.

“Muitas pessoas argumentariam que o que aconteceu durante a noite foi certamente mais do que apenas a queda de um helicóptero”, disse Fisher. “Agora, parece que entramos em uma nova fase do que um republicano me descreveu como o ‘fogo da paz’.”

Segundo Fisher, o governo Trump evita declarar que o cessar-fogo de 8 de abril chegou ao fim. Ainda assim, a Casa Branca parece apostar no uso de ataques militares como forma de pressão “para criar o espaço diplomático necessário para o acordo que Donald Trump deseja”.

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