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Trump ataca republicanos que votaram para reduzir seus poderes de guerra

Donald Trump critica aliados após votação na Câmara que busca limitar ações militares dos EUA contra o Irã sem aval do Congresso

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa no Rockland Community College em Suffern, Nova York, EUA, em 22 de maio de 2026 (Foto: REUTERS/Kylie Cooper)
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247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionou republicanos após voto sobre poderes de guerra e atacou parlamentares que apoiaram uma resolução para restringir sua capacidade de ordenar novos ataques contra o Irã sem aval do Congresso, em meio às negociações finais para um acordo de paz com Teerã.

Em publicação feita na manhã desta quinta-feira (4) na rede Truth Social, Trump classificou como “sem sentido” a votação realizada na Câmara dos Representantes e afirmou que a medida pode prejudicar as tratativas para encerrar a guerra com a República Islâmica do Irã. “Quem faria uma coisa tão antipatriótica?”, questionou Trump.

A declaração foi direcionada especialmente aos quatro deputados republicanos que votaram ao lado dos democratas a favor da resolução. O texto foi aprovado por 215 votos a 208 e ainda precisa passar pelo Senado, onde os republicanos têm maioria.

Trump acusa republicanos de exibicionismo

Na postagem, Trump afirmou que a Câmara votou para limitar seus poderes justamente no momento em que ele conduz negociações para pôr fim ao conflito com o Irã.

“Ontem, em uma votação sem sentido, a Câmara votou, com quatro republicanos incompetentes e todos os democratas, para limitar meus poderes de guerra, bem no meio das minhas negociações finais para encerrar a guerra com a República Islâmica do Irã. Quem faria uma coisa tão antipatriótica? Eles sabem em que pé estão as negociações. Os democratas são movidos pela Síndrome de Transtorno Obsessivo por Trump. Eles preferem que nosso país fracasse a me dar mais uma vitória, entre muitas. Os quatro republicanos, essa é outra história completamente diferente – eles são exibicionistas! Deveriam ter vergonha de si mesmos”, escreveu.

A fala expõe a irritação de Trump com uma articulação que une democratas e parte de sua própria legenda em torno do controle do Congresso sobre ações militares no exterior.

Medida busca impedir novos ataques ao Irã sem aval do Congresso

A resolução aprovada pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos tem como objetivo limitar os poderes de guerra do presidente e buscar o encerramento da guerra contra o Irã.

Na prática, o texto pretende impedir que Trump volte a ordenar ataques contra o Irã sem autorização prévia dos parlamentares. A medida não depende de sanção presidencial, mas precisa ser aprovada também pelo Senado para avançar.

O resultado da votação indica um aumento da preocupação no Capitólio com a condução do conflito. Embora a oposição democrata tenha liderado a iniciativa, o apoio de quatro republicanos deu peso político ao movimento.

Senado já aprovou proposta semelhante

No mês passado, o Senado aprovou uma medida semelhante para obrigar Trump a encerrar operações militares no Oriente Médio. A votação também contou com o apoio de um pequeno grupo de republicanos.

No entanto, o texto anterior não chegou a ser submetido a uma votação final e permanece parado no Congresso. A nova ofensiva da Câmara segue outro caminho legislativo.

Desta vez, os democratas recorreram a uma manobra regimental que obriga a análise da proposta em até duas semanas e meia. Ainda assim, a aprovação no Senado dependerá da adesão de parte da bancada republicana, como ocorreu na votação anterior.

Casa Branca vê tentativa como inconstitucional

Mesmo que uma das medidas seja aprovada definitivamente pelo Congresso dos Estados Unidos, a expectativa é que Trump recorra à Justiça para tentar derrubá-la.

A Casa Branca sustenta que qualquer tentativa de restringir os poderes do presidente na condução de ações militares é inconstitucional. A disputa, portanto, pode avançar para o Judiciário caso o Congresso consiga consolidar a limitação.

O debate ocorre em um momento de fragilidade no cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, com nova troca de ataques entre os dois países.

Guerra preocupa republicanos antes das eleições

A resistência dentro do próprio Partido Republicano também reflete preocupação com o prolongamento da guerra. O conflito se tornou impopular nos Estados Unidos e provocou alta nos preços dos combustíveis.

Entre republicanos, há temor de que a rejeição à ofensiva militar tenha impacto nas eleições de novembro, quando serão renovadas quase todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e parte dos assentos do Senado.

A votação na Câmara mostrou que, apesar da maioria republicana em setores importantes do Congresso, Trump enfrenta fissuras internas em sua base quando o tema envolve guerra, custos políticos e autorização para novas ações militares no Oriente Médio.

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