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Trump cancela envio de negociadores ao Paquistão após exigências do Irã

Decisão ocorre após Teerã apresentar opções para cessar-fogo

O presidente dos EUA, Donald Trump, a bordo do avião presidencial, a caminho de viagem à Ásia - 24/10/2025 (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cancelou o envio de uma delegação de negociadores ao Paquistão, interrompendo uma tentativa de retomada das conversas de paz com o Irã.

Trump justificou a decisão ao afirmar que não vê necessidade de deslocar sua equipe para negociações presenciais no momento. “Eu disse à minha equipe, há pouco, porque eles estavam se preparando para partir, e eu disse: ‘Não, vocês não farão um voo de 18 horas para ir até lá. Nós temos todas as cartas na mão. Eles podem nos ligar a qualquer momento que quiserem, mas vocês não farão mais voos de 18 horas para ficar sentados conversando sobre nada'”, declarou o presidente em conversa por telefone, conforme relatado pela Fox News.

A delegação americana seria composta por nomes próximos ao republicano, como Steve Witkoff e Jared Kushner. A decisão de suspender a viagem ocorreu após o Irã apresentar, por meio de seu chanceler, Abbas Aragchi, um conjunto de exigências para um possível cessar-fogo.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores iraniano, Aragchi entregou um documento detalhando as condições de Teerã para encerrar o conflito, embora o conteúdo não tenha sido divulgado. Em comunicado, o chanceler afirmou ter apresentado “as posições de princípio do seu país sobre os últimos desenvolvimentos relacionados ao cessar-fogo e ao fim completo da guerra imposta ao Irã”.

O Paquistão, que atua como mediador no conflito, vinha tentando há dias reativar o diálogo entre as partes. A capital, Islamabad, aguardava a retomada das negociações iniciadas há cerca de duas semanas, mas interrompidas poucas horas após seu início. Desde então, os Estados Unidos mantêm um cessar-fogo unilateral por tempo indeterminado.

Na última terça-feira (21), Trump anunciou a extensão dessa trégua, mesmo mantendo o bloqueio aos portos iranianos — uma medida que continua pressionando a economia do país persa. O conflito, que já provoca impactos globais, teve início em 28 de fevereiro, após um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, e já deixou milhares de mortos, especialmente em territórios iranianos e no Líbano.

Após sua passagem pelo Paquistão, Aragchi deixou o país poucas horas depois, segundo a agência estatal iraniana Irna. A agenda do chanceler inclui ainda visitas a Omã e à Rússia, em uma tentativa de ampliar o diálogo diplomático e buscar apoio internacional para as demandas iranianas no contexto da guerra.

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