Trump diz que cancelamento de viagem ao Paquistão não indica retomada da guerra
Presidente dos EUA suspende envio de negociadores e cita disputas internas no Irã como obstáculo para avanço diplomático
247- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a decisão de cancelar a viagem de uma delegação americana ao Paquistão não representa uma escalada do conflito com o Irã nem sinaliza retomada das hostilidades. As informações são da CNN.
Questionado sobre a possibilidade de o cancelamento indicar um endurecimento na postura americana, Trump respondeu de forma direta: “Não. Não significa isso. Ainda não pensamos nisso”. A fala busca afastar temores de uma nova deterioração no cenário geopolítico envolvendo Washington e Teerã, em meio a negociações ainda frágeis.
A decisão de suspender a viagem envolveu dois nomes centrais da diplomacia americana: o enviado especial Steve Witkoff e o assessor Jared Kushner. Ambos seguiriam para Islamabad, capital paquistanesa, onde participariam de mais uma rodada de negociações indiretas com representantes iranianos.
Em publicação nas redes sociais, Trump justificou a medida com críticas à instabilidade interna no Irã. “Acabei de cancelar a viagem dos meus representantes a Islamabad, no Paquistão, para se encontrarem com os iranianos. Muito tempo perdido em viagens, muito trabalho!”, escreveu. Em seguida, acrescentou: “Além disso, há uma enorme disputa interna e confusão dentro da 'liderança' deles. Ninguém sabe quem está no comando, nem mesmo eles. E nós temos todas as cartas na manga, eles não têm nenhuma! Se quiserem conversar, basta ligar!!!”.
Antes disso, em entrevista à Fox News, o presidente já havia demonstrado ceticismo quanto à utilidade da missão diplomática. “Eu disse à minha equipe agora há pouco – eles estavam se preparando para partir –, e eu disse: 'Não, vocês não vão fazer um voo de 18 horas para ir até lá. Nós temos todas as cartas. Eles podem nos ligar quando quiserem, mas vocês não vão mais fazer voos de 18 horas para ficarem sentados conversando sobre nada'”, afirmou.
O anúncio ocorreu logo após a saída de uma delegação iraniana de Islamabad. O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, havia se reunido com autoridades paquistanesas para discutir caminhos possíveis para um cessar-fogo e o fim do conflito. Segundo comunicado divulgado por sua equipe, o diplomata “explicou as posições de princípio do nosso país em relação aos últimos desenvolvimentos relacionados ao cessar-fogo e ao fim completo da guerra imposta contra o Irã”.
Fontes diplomáticas indicam que Teerã mantém resistência a propostas consideradas excessivas por parte dos Estados Unidos. “Em princípio, o lado iraniano não aceitará exigências maximalistas”, disse um representante iraniano à agência Reuters, sinalizando entraves persistentes nas negociações.
Durante sua passagem pelo Paquistão, Araghchi se reuniu com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e com o chefe do Exército, Asim Munir, que tem desempenhado papel relevante como mediador entre os dois países. O governo paquistanês tenta viabilizar uma nova rodada de conversas, após encontros realizados no início de abril não conseguirem superar divergências consideradas críticas.
Apesar do impasse, a sinalização de Trump indica que, ao menos por ora, Washington não pretende escalar o conflito militarmente, mantendo aberta a possibilidade de retomada do diálogo — ainda que em termos mais favoráveis aos interesses americanos.


