Trump diz que decidiu adiar ataque ao Irã após pedido de aliados do Golfo
Trump adia ataque ao Irã por dois a três dias enquanto Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos defendem negociações
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiou por dois a três dias um ataque planejado contra o Irã após pedido de aliados do Golfo, enquanto Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos defenderam a continuidade de negociações para tentar conter a escalada no Oriente Médio, as informações são da Al Jazeera.
Segundo a Al Jazeera, Trump afirmou que a decisão foi tomada depois de os líderes dos países do Golfo assegurarem que “um acordo será feito”. O presidente dos Estados Unidos também disse que “negociações sérias estão em andamento”, em meio à guerra envolvendo EUA, Israel e Irã.
O anúncio ocorre em um momento de forte tensão regional. De acordo com o relato publicado pela emissora, o ataque norte-americano estava previsto para esta terça-feira, mas foi suspenso a pedido dos aliados do Golfo, que buscam evitar uma ampliação do conflito e preservar canais diplomáticos com Teerã.
Do lado iraniano, o presidente Masoud Pezeshkian afirmou que “diálogo não significa rendição” e declarou que o Irã entrou no “diálogo com dignidade, autoridade e preservação dos direitos da nação”. A fala reforça a postura de resistência adotada por Teerã diante da pressão pública exercida por Washington.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, também criticou a conduta dos Estados Unidos. Segundo a agência iraniana ISNA, ele afirmou que os “comportamentos contraditórios e excessivos” de Washington representam um obstáculo sério à diplomacia.
Em reunião com o ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, Araghchi citou quebras anteriores de promessas como motivo para a profunda desconfiança iraniana em relação ao establishment norte-americano. O chanceler disse ainda que a entrada de Teerã em conversas diplomáticas para encerrar o conflito parte de uma “perspectiva responsável”.
Naqvi, por sua vez, manifestou esperança de que o Paquistão possa contribuir para a restauração da paz e da estabilidade na região.
Tensão no Golfo e no Estreito de Hormuz
A possibilidade de uma ofensiva norte-americana contra o Irã ocorre em meio a preocupações crescentes dos países do Golfo com a segurança regional e com os impactos econômicos do conflito. Dania Thafer, diretora-executiva do Gulf International Forum, com sede em Washington, afirmou à Al Jazeera que os países do Golfo “certamente não querem escalada na região”.
“O que eles querem é uma solução para a crise que estão enfrentando”, disse Thafer.
Segundo ela, o programa nuclear iraniano “não é a prioridade” para os países do Golfo da mesma forma que é para Washington. A preocupação imediata desses Estados está mais ligada à reabertura do Estreito de Hormuz e à ameaça representada pelos mísseis convencionais iranianos.
“Acho que a desescalada e a construção de um acordo que possa responder às queixas de todas as partes seriam a situação ideal para os países do Golfo”, acrescentou Thafer.
As interrupções no Estreito de Hormuz já começaram a pressionar o mercado internacional de combustíveis. A Reuters informou que a Índia, terceiro maior importador e consumidor de petróleo do mundo, elevou os preços domésticos de combustíveis pela segunda vez em uma semana.
Nesta terça-feira, o governo indiano aumentou os preços da gasolina e do diesel em cerca de 0,9 rúpia por litro para compensar perdas provocadas pela alta do petróleo bruto no mercado global. A gasolina passou de 97,77 para 98,64 rúpias por litro, enquanto o diesel subiu de 90,67 para 91,58 rúpias por litro.



