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Trump diz que só pode ser detido pela sua "própria moralidade"

Em entrevista ao New York Times, presidente dos EUA afirma que “não precisa do direito internacional”

Donald Trump e charge de Carlos Latuff (Foto: Reuters / Brasil 247)

247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a única coisa capaz de limitar o alcance do seu poder global seria a sua “própria moralidade”. A declaração foi dada em uma entrevista ampla ao jornal The New York Times e repercutida pela ABC News, que destacou o conteúdo explosivo das falas e o impacto político e diplomático que elas podem gerar em um momento de forte tensão internacional.

Questionado sobre a existência de algum limite para o poder do presidente norte-americano no cenário mundial, Trump respondeu de forma personalista, atribuindo a si mesmo o único freio possível. “Sim, há uma coisa: a minha própria moralidade. A minha própria mente. É a única coisa que pode me deter”, disse ele, segundo o relato publicado.

Na sequência, Trump reforçou a ideia de que não se sente submetido a normas internacionais. “Eu não preciso do direito internacional. Eu não estou querendo machucar as pessoas”, afirmou, ainda de acordo com a reportagem.

Apesar do tom que sugere uma autonomia quase ilimitada, Trump reconheceu que seu governo pode precisar respeitar regras internacionais — mas relativizou esse compromisso, questionando a própria definição do conceito. “Depende da sua definição de direito internacional”, declarou.

Declarações ocorrem após sequestro de Maduro e novas tensões externas

A entrevista ocorre em um momento em que ações recentes do governo Trump vêm provocando atenção e críticas em diferentes partes do mundo. Entre os episódios mencionados na reportagem está a operação conduzida por forças militares dos Estados Unidos em território venezuelano, que resultou no sequestro de Nicolás Maduro e de sua esposa.

Segundo as informações reproduzidas, os dois enfrentam acusações federais, incluindo conspiração de narcoterrorismo e conspiração para importar cocaína, e apresentaram declarações de inocência no início desta semana.

O episódio reacendeu o debate sobre os limites do poder norte-americano no cenário internacional, especialmente diante da forma como a ação foi conduzida e da reação que ela provoca em governos e organismos estrangeiros.

Groenlândia, OTAN e afastamento de organizações internacionais

A reportagem também destaca que Trump e seus assessores vêm discutindo “uma gama de opções” para adquirir a Groenlândia, inclusive com a possibilidade de uso militar. A informação teria sido confirmada pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, em declarações nesta semana.

Ao mesmo tempo, Trump voltou a mirar a OTAN. Em postagem em rede social, afirmou que os Estados Unidos “sempre estarão lá pela OTAN, mesmo que eles não estejam lá por nós”, e disse duvidar que o bloco militar europeu apoiasse Washington caso o país “realmente precisasse”.

Outro movimento recente citado é a assinatura de um memorando determinando que os Estados Unidos se retirem de 66 organizações internacionais, incluindo entidades ligadas às Nações Unidas. Segundo a justificativa apresentada pelo governo, esses programas e organismos “não servem mais aos interesses” do país.

Poder sem freios e o risco de escalada internacional

As declarações atribuídas a Trump reforçam uma visão de mundo baseada no unilateralismo e na recusa de limites externos ao poder de Washington, em contraste com a tradição diplomática de defesa de instituições multilaterais e tratados internacionais.

Ao afirmar que sua própria moralidade é o único limite possível, Trump alimenta a apreensão de líderes estrangeiros e analistas internacionais diante de ações recentes que já produziram consequências concretas, como a operação na Venezuela, a pressão geopolítica sobre a Groenlândia e a deterioração do diálogo com aliados históricos.

A entrevista deve intensificar o debate global sobre até que ponto a política externa dos Estados Unidos pode ser conduzida como uma extensão da vontade pessoal do presidente, especialmente quando ele declara, de forma explícita, que não precisa do direito internacional para agir no mundo.

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