Trump volta a ameaçar Cuba e diz que não precisa do direito internacional
Presidente dos Estados Unidos afirma que só sua “própria moral” pode limitá-lo e reforça discurso de pressão máxima contra Havana
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom contra Cuba ao afirmar que o país caribenho estaria à beira do colapso e que as opções de Washington para aumentar a pressão já estariam esgotadas. Em entrevistas recentes, o mandatário defendeu a continuidade da ofensiva política e econômica contra Havana e fez declarações que colocam em xeque o respeito ao direito internacional.
As declarações foram publicadas originalmente pela emissora Telesur, que detalhou as falas de Trump em entrevistas concedidas a veículos da mídia norte-americana, nas quais o presidente reiterou ameaças contra Cuba e abordou também a situação no Irã e sua visão pessoal sobre o uso da força pelos Estados Unidos.
Em entrevista ao radialista Hugh Hewitt, Trump afirmou que praticamente toda a pressão possível já foi aplicada contra a ilha. Ainda assim, sugeriu cenários extremos ao ser questionado sobre novas medidas. “Não acho que seja possível exercer muita pressão adicional, a não ser invadir e destruir o lugar”, declarou, ao comentar a política dos Estados Unidos em relação a Cuba.
Na mesma conversa, o presidente afirmou que a situação cubana estaria diretamente ligada à Venezuela. “Cuba está em sérios apuros”, disse Trump, acrescentando: “Toda a vida deles girou em torno da Venezuela. Eles obtêm seu petróleo e seu dinheiro da Venezuela”. Segundo ele, a pressão sobre Havana continuará de forma intensa.
Trump também retomou declarações feitas dias antes, quando afirmou que Cuba “está prestes a cair”, sob o argumento de que deixaria de receber petróleo venezuelano. Ao mesmo tempo, reconheceu a recorrência desse tipo de previsão. “Cuba está em apuros há 25 anos. Não se recuperou completamente”, afirmou, para em seguida sustentar que o país “está muito perto disso”.
O discurso do presidente ocorre em meio a manifestações semelhantes de integrantes de seu governo. O secretário de Energia, Chris Wright, por exemplo, sinalizou um endurecimento da postura contra Havana após ações recentes de Washington na Venezuela. “Creio que vamos ter uma pressão muito significativa sobre Cuba”, afirmou o funcionário em entrevista à emissora CNBC.
Desde o início da atual administração, Cuba tem sido alvo de um reforço sem precedentes da hostilidade econômica, comercial e financeira dos Estados Unidos. Em 2025, Trump assinou um memorando que endureceu ainda mais essa política, proibindo transações financeiras diretas ou indiretas com entidades estatais cubanas e ampliando restrições ao turismo na ilha.



