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Trump diz ter dúvidas sobre apoio da Otan aos EUA em eventual conflito

Declaração do presidente dos EUA foi feita após ataque Venezuela e ameaça de anexação da Groenlândia

O presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), em evento no Salão Oval da Casa Branca 6 de novembro de 2025 (Foto: Jonathan Ernst/Reuters)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou dúvidas sobre a disposição dos países da Otan em apoiar Washington em um cenário de necessidade militar. A declaração, segundo a Folha de São Paulo, foi feita nesta quarta-feira (7), em meio a um contexto de crescente tensão internacional, marcado pelo recente ataque à Venezuela e pelo endurecimento do discurso do governo estadunidense em relação a diferentes países, o que inclui a ameaça de uso de força militar para anexar a Groenlândia. 

Em publicação na rede Truth Social, Trump colocou em xeque o princípio da defesa mútua previsto no artigo 5º do tratado da Otan. “Sempre estaremos lá para a Otan, mesmo que eles não estejam lá para nós”, escreveu o presidente, sinalizando desconfiança quanto à reciprocidade dos compromissos assumidos pelos países aliados.

Declarações aumentam tensão dentro da Otan

As falas ocorreram um dia após a Casa Branca admitir que a via militar está entre as opções consideradas para viabilizar a anexação da Groenlândia, território semiautônomo pertencente à Dinamarca, país integrante da aliança militar. A possibilidade gerou desconforto diplomático e reações imediatas entre governos europeus.

Críticas aos gastos militares dos aliados

Na mesma mensagem, Trump voltou a criticar os níveis de investimento em defesa dos países da Otan. Segundo ele, os Estados Unidos arcaram por anos com uma parcela desproporcional dos custos da aliança. “Os EUA pagavam de forma tonta por eles”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Eu os fiz chegar a 5% do PIB destinado ao orçamento de defesa”, sem detalhar os critérios ou os países que teriam atingido esse patamar.

Apesar das críticas, o presidente manteve o tom ambíguo que marca sua relação com a Otan, afirmando que os países membros continuam sendo seus amigos, embora, em sua avaliação, dependam excessivamente do poder militar americano.

Groenlândia e reações da Europa

Em entrevista publicada no domingo (4) pela revista The Atlantic, Trump voltou a destacar o interesse estratégico dos Estados Unidos pela Groenlândia. Segundo ele, o território no Ártico é essencial “do ponto de vista da segurança” de Washington. As declarações provocaram reações de líderes europeus, que defenderam a soberania do território.

Em comunicado, dirigentes da União Europeia afirmaram que cabe exclusivamente à população local decidir seu futuro político. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, respondeu de forma direta às declarações. “Chega de insinuações. Chega de fantasias sobre anexação”, disse. À emissora pública DR, acrescentou: “Infelizmente, acho que o presidente americano deve ser levado a sério”.

Nobel da Paz e novas controvérsias

Trump também voltou a reclamar por não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz em 2025, apesar de afirmar que encerrou oito guerras. Ao mencionar a Noruega, país responsável pela concessão do prêmio e integrante da Otan, classificou a decisão como equivocada. “Mas isso não importa! O que importa é que eu salvei milhões de vidas. A Rússia e a China não têm nenhum medo da Otan sem os EUA”, escreveu.

A premiação foi concedida à líder opositora venezuelana María Corina Machado, decisão que, segundo Trump, não teria o respeito necessário para uma liderança política em Caracas.

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