Trump e Netanyahu escancaram racha sobre guerra contra o Irã
Conversa tensa revelou divergência entre Trump e Netanyahu sobre ataques ao Irã e avanço de negociações diplomáticas
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tiveram uma conversa tensa na terça-feira (19), em meio a divergências sobre os próximos passos da guerra contra o Irã e sobre a possibilidade de novas ações militares.
Segundo a CNN Brasil, um funcionário americano afirmou que a conversa refletiu visões distintas entre os dois líderes. Trump passou a considerar uma pausa nos ataques para abrir espaço a negociações diplomáticas, enquanto Netanyahu defendeu a retomada da ofensiva contra Teerã.
A conversa de terça-feira não foi a única entre os dois nos últimos dias. No domingo (17), Trump havia indicado que provavelmente seguiria adiante com novos ataques direcionados ao Irã no início da semana, de acordo com o funcionário americano ouvido pela CNN. A operação, conforme já havia sido relatado pela emissora, deveria receber o nome de Operação Martelo.
Cerca de 24 horas depois, no entanto, Trump anunciou a suspensão dos ataques que, segundo ele, estavam planejados para terça-feira. A decisão teria sido tomada a pedido de aliados do Golfo, entre eles Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Nos dias seguintes, países do Golfo mantiveram contato próximo com mediadores da Casa Branca e do Paquistão. O objetivo, segundo um funcionário americano e uma pessoa familiarizada com a situação, era construir uma estrutura capaz de impulsionar negociações diplomáticas com o Irã.
Na manhã desta quarta-feira (20), Trump comentou publicamente o andamento das tratativas. “Estamos na reta final das negociações com o Irã. Vamos ver o que acontece”, disse o presidente dos Estados Unidos a repórteres.
Em seguida, Trump reforçou que ainda vê dois caminhos possíveis para o desfecho da crise. “Ou teremos um acordo ou faremos algumas coisas um pouco desagradáveis [...] Mas espero que isso não aconteça”, afirmou.
A possibilidade de avanço diplomático, porém, aumentou a insatisfação de Netanyahu. O primeiro-ministro israelense, que há muito tempo defende uma postura mais dura contra Teerã, argumentou que qualquer adiamento dos ataques acabaria beneficiando os iranianos, segundo autoridades do governo Trump e fontes israelenses.
De acordo com uma autoridade americana, Netanyahu expressou sua decepção diretamente a Trump na terça-feira. O primeiro-ministro disse acreditar que adiar os ataques esperados era um erro e que o presidente dos Estados Unidos deveria manter o plano original.
A ligação durou cerca de uma hora. Durante a conversa, Netanyahu pressionou pela retomada da ação militar, segundo uma fonte israelense familiarizada com o assunto. A divergência entre os dois líderes ficou evidente: Trump queria avaliar se ainda seria possível alcançar um acordo, enquanto Netanyahu esperava uma decisão diferente.
A CNN informou que entrou em contato com a Casa Branca. Após a ligação de terça-feira, a preocupação se estendeu a autoridades próximas a Netanyahu, segundo outra fonte israelense ouvida pela emissora.
Nos altos escalões do governo israelense, há um forte desejo de retomada da ação militar. Também cresce a frustração com a decisão de Trump de manter aberta uma via diplomática que essas autoridades consideram uma tentativa de protelação por parte do Irã.
A tensão, no entanto, não surgiu apenas agora. Fontes familiarizadas com as conversas afirmaram que Netanyahu já vinha demonstrando incômodo com a abordagem dos Estados Unidos, especialmente com ameaças feitas por Trump que depois acabam sendo interrompidas.
Autoridades americanas também já reconheceram, em outros momentos, que Washington e Tel Aviv têm objetivos diferentes em relação à guerra. Enquanto Israel pressiona por maior firmeza contra o Irã, Trump tem dado sinais de que deseja testar uma solução negociada antes de autorizar novos ataques.
Questionado na quarta-feira sobre o que disse a Netanyahu na noite anterior, Trump sugeriu que está no controle da situação, em meio ao impasse entre pressão militar e negociação diplomática.



