Trump nega alívio a sanções e amplia impasse com Irã
Washington e Teerã divergem sobre urânio e Estreito de Ormuz
247 - O residente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou que Washington vá oferecer alívio a sanções ao Irã em meio às negociações para um possível acordo, enquanto os dois países seguem em conflito sobre urânio enriquecido, bloqueio marítimo e o controle do Estreito de Ormuz, as informações são da Al Jazeera.
Segundo a Al Jazeera, embora haja sinais de que um entendimento entre Estados Unidos e Irã possa estar em discussão, declarações contraditórias de autoridades dos dois lados indicam que o impasse diplomático permanece longe de uma solução definitiva.
Em reunião de gabinete realizada na quarta-feira, Trump afirmou que Teerã não receberá flexibilização de sanções como parte das tratativas, apesar das exigências iranianas nesse sentido. “Não estamos falando em qualquer flexibilização das sanções ou em dar dinheiro”, disse o presidente dos Estados Unidos.
Mais cedo, em entrevista à PBS News, Trump voltou a afirmar que o Irã entregaria suas reservas de urânio enriquecido. “Eles vão abrir mão do urânio altamente enriquecido, não em troca de alívio das sanções. Não, não, de jeito nenhum”, declarou.
As falas reforçam declarações feitas pelo presidente dos Estados Unidos na segunda-feira, quando ele afirmou que o urânio enriquecido “será imediatamente entregue aos Estados Unidos para ser repatriado e destruído ou, de preferência, em conjunto e em coordenação com a República Islâmica do Irã, destruído no local”.
Teerã, no entanto, sustenta que não abrirá mão dos cerca de 440 quilos de material nuclear que possui. Há mais de um mês, Trump disse que o Irã teria concordado em permitir que os Estados Unidos recuperassem o urânio em um “ritmo tranquilo”, mas o governo iraniano negou rapidamente essa versão.
Impasse sobre urânio, sanções e Ormuz
O futuro do programa nuclear iraniano continua sendo um dos principais pontos de divergência nas negociações de cessar-fogo. Estados Unidos e Irã buscam uma saída para a guerra iniciada há mais de 12 semanas, mas os dois lados também divergem sobre a continuidade das sanções norte-americanas, o bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos e o controle do Estreito de Ormuz, rota estratégica do comércio internacional.
Na reunião de gabinete, Trump repetiu afirmações feitas desde o início da guerra, entre elas a de que a marinha e a força aérea iranianas teriam sido dizimadas. Ele voltou a apresentar o Irã como um adversário enfraquecido diante do poder militar norte-americano.
“Eles querem muito fechar um acordo”, disse Trump, referindo-se ao Irã. Em seguida, o presidente dos Estados Unidos afirmou que as negociações ainda não alcançaram o resultado esperado por Washington. “Não estamos satisfeitos com isso, mas ficaremos. Ficaremos. Ou isso, ou teremos que terminar o trabalho”, declarou, em referência à possibilidade de novas ações militares.
A guerra foi lançada por Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, sem provocação direta, segundo o relato publicado. A ofensiva matou o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, além de altos funcionários do país e centenas de civis.
O Irã respondeu com ataques de mísseis e drones contra Israel e em várias partes da região. Teerã também fechou o Estreito de Ormuz, hidrovia por onde passa mais de 20% do comércio mundial de petróleo. O bloqueio elevou os preços globais de energia e alimentou a inflação nos Estados Unidos, enquanto o governo Trump não conseguiu reabrir a passagem pela força.
Trump rejeita esperar recuo iraniano
Na quarta-feira, Trump afirmou que o Irã não conseguirá vencê-lo pelo desgaste, na expectativa de que o governo norte-americano recue. Ele apresentou o bloqueio como uma tentativa de afetar seu apoio interno antes das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos.
“Eu não me importo com as eleições de meio de mandato”, disse Trump. “As pessoas entendem isso. Elas sabem que — muito simples — o Irã não pode ter uma arma nuclear”.
O presidente dos Estados Unidos também descartou a possibilidade de um acordo de curto prazo que permitisse a Irã e Omã controlarem conjuntamente o Estreito de Ormuz. Ele chegou a sugerir uma reação militar caso Omã assumisse esse papel.
“Omã vai se comportar como todo mundo, ou teremos que explodi-los. Eles entendem isso. Eles ficarão bem”, afirmou Trump.
Embora o presidente dos Estados Unidos tenha apresentado a morte de Khamenei e de outros líderes iranianos como prova de mudança de liderança, a guerra não provocou o colapso do sistema de governo do Irã. Khamenei foi substituído por seu filho, Mojtaba, e o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica continua desempenhando papel central na estrutura política e militar iraniana.
Um cessar-fogo temporário entrou em vigor em 8 de abril, mas os esforços para resolver a crise estão paralisados, apesar da avaliação de Trump de que o Irã estaria enfraquecido e interessado em um acordo com os Estados Unidos.
Ainda assim, houve novo otimismo sobre uma possível solução quando Trump anunciou no sábado que um acordo estava sendo finalizado, depois de conversar com líderes regionais. Não está claro, porém, se alguma das partes ofereceu concessões para viabilizar o entendimento.
Na reunião de gabinete, Trump disse que “não se sentiria confortável” com a possibilidade de o urânio iraniano ser transferido para Rússia ou China em vez dos Estados Unidos.
Casa Branca nega relato da mídia iraniana
Mais cedo, na quarta-feira, a Casa Branca rejeitou uma reportagem da TV estatal iraniana sobre os detalhes de um memorando de entendimento para reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar a guerra.
A reportagem iraniana afirmou que a minuta do acordo exigiria o fim do bloqueio naval norte-americano ao Irã em troca da retomada da passagem de navios por Ormuz em níveis semelhantes aos anteriores à guerra, no prazo de 30 dias.
Segundo a emissora estatal iraniana IRIB, navios militares ficariam fora do acordo, e a gestão da hidrovia, incluindo inspeções de embarcações e eventuais taxas, permaneceria sob controle do Irã, em coordenação com Omã.
A Casa Branca negou a versão iraniana. “Esta reportagem da mídia controlada pelo Irã não é verdadeira e o memorando de entendimento que eles ‘divulgaram’ é uma completa invenção. Ninguém deve acreditar no que a mídia estatal iraniana está divulgando. OS FATOS IMPORTAM”, afirmou o governo Trump em uma publicação nas redes sociais.
O governo dos Estados Unidos não especificou quais pontos do relato seriam incorretos nem apresentou detalhes sobre o conteúdo de um possível acordo com Teerã.
Trump afirmou na quarta-feira que Washington não aceitará o controle iraniano do Estreito de Ormuz. “Vamos vigiar, mas ninguém vai controlá-lo. Isso faz parte da negociação que estamos tendo”, disse o presidente dos Estados Unidos a repórteres durante a reunião de gabinete.
Inicialmente, alguns relatos vindos dos Estados Unidos e do Irã indicavam que Washington poderia liberar ativos iranianos congelados como parte do acordo. Trump, no entanto, enfatizou que não haverá alívio imediato das sanções a Teerã.
“Quando eles se comportarem adequadamente e fizerem o que é certo, nós os devolveremos ao dinheiro”, declarou.



