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União Africana é referência do multilateralismo, afirma secretário-geral da ONU

António Guterres agradece apoio do bloco africano e defende reforma do Conselho de Segurança

O secretário-geral da ONU resslta o papel da África nas relações internacionais (Foto: Prensa Latina)

247 - O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que a União Africana (UA) se consolidou como um dos principais exemplos de compromisso com o multilateralismo e destacou o papel decisivo do continente africano na defesa da justiça, da igualdade e das reformas estruturais no sistema internacional.

A declaração foi feita em pronunciamento divulgado pela Prensa Latina, no qual Guterres ressaltou a importância da aliança entre a ONU e a União Africana, construída ao longo de sua gestão com base no diálogo permanente e em uma cooperação cada vez mais ampla em áreas estratégicas.

Durante sua fala, Guterres expressou gratidão pelo respaldo africano nas principais iniciativas conduzidas na ONU. Segundo ele, o apoio do grupo africano tem sido determinante para sustentar ações em defesa de direitos e de políticas globais voltadas ao desenvolvimento. "A solidariedade deles não só fortaleceu nossos esforços, como também me comoveu profundamente, e jamais a esquecerei", afirmou.

O secretário-geral lembrou que, desde o início de seu mandato, a parceria ONU-UA foi fortalecida com base no respeito mútuo e na solidariedade política. Ele ressaltou que, ao longo da última década, a cooperação atingiu novos patamares, com avanços em estruturas conjuntas de paz e segurança, desenvolvimento sustentável e direitos humanos, além de ações coordenadas durante a pandemia de Covid-19.

Entre os marcos mencionados, Guterres destacou a adoção histórica da Resolução 2719, que trata de “Moradia Segura”, apontada por ele como fundamental para abrir caminho a um financiamento mais previsível das operações de apoio à paz lideradas pela organização continental.

O dirigente da ONU também afirmou que a organização está comprometida em apoiar novas prioridades definidas pela União Africana. “Temos a honra de apoiar as novas prioridades, desde o silenciamento das armas até a agência humanitária africana e a promoção de transições políticas inclusivas”, declarou.

Além das questões de segurança, Guterres apontou que a ONU apoia a África em suas demandas globais por justiça, especialmente na luta contra os efeitos históricos da escravidão e do colonialismo. Segundo ele, o continente tem liderado o apelo por mecanismos de ação restaurativa e pela defesa dos objetivos de desenvolvimento sustentável.

O secretário-geral também citou o protagonismo africano na defesa da ambição climática e na necessidade de fortalecer o multilateralismo para o século XXI, destacando ainda a urgência de reformas na arquitetura financeira global e no próprio Conselho de Segurança da ONU.

Ao abordar diretamente o tema, Guterres classificou como injustificável a ausência de assentos permanentes para países africanos no Conselho de Segurança. "Estamos em 2026, não em 1946. Independentemente das decisões que estão sendo debatidas sobre o mundo africano, a África precisa estar presente", enfatizou.

No campo dos conflitos armados, o secretário-geral alertou que a paz continuará sendo uma das prioridades centrais da ONU, citando como focos de preocupação países como Sudão, Sudão do Sul, República Democrática do Congo, República Centro-Africana e Líbia. Ele fez um apelo para que as partes envolvidas interrompam imediatamente os confrontos e retomem o diálogo político.

Guterres também destacou a situação na África Ocidental e no Sahel, onde, segundo ele, são necessários esforços coordenados para conter ciclos persistentes de violência, terrorismo e deslocamento populacional.

Sobre a Somália, o secretário-geral afirmou que o financiamento contínuo e previsível da missão de apoio e estabilização da União Europeia é essencial para garantir estabilidade no país.

Por fim, Guterres afirmou que, de forma mais ampla, a ONU vem revisando suas operações de paz para assegurar que os mandatos sejam realistas, bem organizados e sustentados por recursos adequados, além de estarem alinhados a estratégias de transição claras.

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